sábado, 17 de junho de 2017

Primeira imagem com a QHY163

Nebulosa da Lagoa, capturada com a QHY163m no refrator de 102mm. Foram 36 frames de 2 minutos com filtro H-alpha e 10 frames de dois minutos para os filtros de Oxigênio 3 e Enxofre 2. Composição em Hubble Palette.

Finalmente chegaram as câmeras QHY163m e QHY5III-224c que adquiri no Tellescopio.com. Ou melhor, na verdade elas chegaram bem antes do que eu esperava. O site dizia que faria as encomendas no dia 31 de maio. E como as câmeras viriam da China, eu esperava, na mais otimista das expectativas, que elas chegassem no meio de julho, antes do Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Quando recebi a mensagem, dia 9 de junho, de que as câmeras estavam sendo preparadas para envio, foi uma tremenda surpresa.

As câmeras chegaram na terça e eu já comecei a utilizá-las na quarta-feira. De cara percebi uma desvantagem das QHY em relação aos modelos da ZWO. Enquanto as ZWO já eram encontradas pelos softwares que utilizo, as QHY precisam mais de um sistema chamado de ASCOM para conversarem com softwares astronômicos. Num primeiro momento eu fiquei meio chateado. Sempre achei que trabalhar com ASCOM era coisa para engenheiros e a documentação existente na internet não ajuda muito. Felizmente, descobri que é muito mais simples do que eu pensava. Fuçar um pouco já resolveu o problema. Você precisa apenas, instalar os drivers da câmera, encontrar os drivers no ASCOM, como se estivesse abrindo a câmera num software de captura, e depois disso basta selecionar a "câmera" ASCOM no software de captura. O software até vai perguntar qual câmera eu quero conectar. Isso aconteceu comigo por que tenho duas câmeras QHY conectadas ao mesmo tempo.

Como diz o José Carlos Diniz, as câmeras astronômicas com sensores CMOS são bichos diferentes das câmeras com sensor CCD. A principal diferença que vemos logo de cara são as opções de ajuste de Ganho e Offset. O ajuste de ganho é bastante claro, equivale ao ajuste de ISO das câmeras DSLR que conhecemos. Já o ajuste de OFFset está relacionado com o ajuste do nível da cor preta. Eu entendo mais do ganho. Sei que mais ganho gera mais ruído, mas permite frames mais curtos e uma maior quantidade de frames pode compensar o maior ruído. Mas selecionar os melhores valores para estes ajustes pode afetar o Range Dinâmico da câmera. Pelo que vi, valores maiores são interessantes para objetos muito pálidos e de brilho uniforme, como nebulosas de emissão extensas, mas para nebulosas com muita variedade de brilho, como a Nebulosa da Lagoa, de Orion, ou Galáxias, que têm um núcleo muito mais brilhantes que o resto do corpo, um maior ganho e mais OFFset pode gerar imagens estouradas (o OFFset também afeta o range dinâmico). Desculpem se falei besteira, mais para frente quero entrar mais a fundo neste assunto, que gera dúvidas até entre astrofotógrafos mais experientes. Felizmente, a QHY163 já veio com um preset de ganho e OFFset para céu profundo e podemos utilizar estes parâmetros pré-definidos. Mesmo assim eu aumentei um pouco o ganho para 30, o que provavelmente gerou o estouro do núcleo da Nebulosa da Lagoa na imagem do início do post.

Eu já tinha utilizado uma câmera astronômica resfriada com sensor CMOS, a ASI174. E agora com a QHY163 percebo que nestas câmeras é normal que determinadas regiões apresentem clareamento de áreas do sensor. Esse clareamento é chamado de Amplifier Glow e pode ser totalmente retirado com o uso de Dark Frames. A ATIK314L+ nunca apresentou este tipo de alteração nos frames. Então, se na Atik 314L+ eu podia até dispensar dark frames, em câmeras CMOS eles são obrigatórios.

Depois de tanto tempo com o pequeno sensor 2/3 de polegada da ATIK314L+, ter uma câmera com sensor 4/3 de polegada (o dobro da diagonal e 4 vezes mais área) é algo maravilhoso. É muito mais fácil encontrar e enquadrar os objetos e a perda de campo na troca de filtros não causa arrepios. Mas algo que me preocupa com a QHY163 é em relação à vinhetagem. A câmera tem um sensor praticamente do tamanho do diâmetro de um filtro de 1,25 polegadas. Na imagem que vemos acima eu fiquei na dúvida se houve ou não vinhetagem. As bordas estão um pouco mais escuras do que o resto da imagem. Mas também estão azuis. Os flat frames mostraram vinhetagem bem nos cantos da imagem, mas que pode ser totalmente retirada com a aplicação destes frames de calibração. A verdade é que se o setup apresentar vinhetagem na imagem final, eu vou conviver com isso por um bom tempo, pois filtros de 2 polegadas são muito mais caros do que os de 1,25 polegadas e repor todo meu conjunto de filtros, RGB, IR/UV Cut e banda estreita, além da roda de filtros, pode custar um bom dinheiro.

A imagem acima não teve uma captura perfeita porque eu estava com pressa de ter uma experiência completa com a nova câmera. Não quis perder tempo com alinhamento e a guiagem, feita com a também nova QHY5-III 224c não aguentaria mais do que dois minutos por frame sem deixar rastros. Mas o relaxo mesmo foi no foco. O software que eu utilizei foi o EZcap, desenvolvido pela própria QHY e ele tem a função de assistente de foco, mas nem me dei ao trabalho de usar.

Apesar de tudo, fico muito feliz com essa primeira imagem e tenho certeza de que, com mais apuro, imagens fantásticas estão por vir.

Abaixo, algumas imagens interessantes que mostram as características do setup utilizado:

Flat frame feito com a QHY163 com roda de filtros de 1,25 polegadas mostra leve vinhetagem nas bordas da captura, provocado pelos filtros praticamente do tamanho do sensor.

Dark frame (com aumento de brilho) mostra áreas mais claras na imagem, efeito chamado de Amplifier Glow. A câmera estava com sensor em temperatura de cerca de zero grau

Light frame H-alpha (com brilho aumentado) mostra como áreas mais claras aparecem, mas serão eliminadas com a aplicação dos darks.

Canal H-alpha com integração de 36 light frames, 10 darks e 30 flats.
Setup utilizado na captura. Vemos a QHY163 no telescópio principal, com roda de filtros de 1,25 polegadas, o aplanador de campo da Orion à frente da roda de filtros. Também vemos a QHY5III-224 com lente Nikon de 135mm F2.8 como telescópio de guiagem. A montagem é a HEQ5 da SkyWatcher.




domingo, 4 de junho de 2017

O Problema do Mercado de Equipamentos Usados em Astronomia

Desde a crise econômica e alta do dólar, uma das coisas que mais se tem falado dentro da Astronomia Amadora e mais ainda na Astrofotografia amadora, mais dependente de equipamentos, é a elevação exponencial dos preços dos equipamentos de Astronomia para o público brasileiro. Ah, não tem como não lembrar que eu paguei apenas 2900 reais na minha Sky-Watcher HEQ5, montagem computadorizada capaz de carregar o meu refletor de 200mm em sessões até de capturas de céu profundo. Enquanto isso, dias atrás tinha um cara no Mercado Livre vendendo uma EQ1 por mais do que isso. Uma montagem que não consegue carregar nem um pequeno refrator de forma aceitável para fotografia de céu profundo. E pior, a montagem nem sequer tinha motorização. Após muitas reclamações ele baixou um pouco o preço. Mesmo assim ficou acima de dois mil reais. No mínimo o dobro do que a montagem normalmente custa, mesmo nesta época de dólar alto.

Estes dias vi um post no Facebook reclamando sobre os preços abusivos que estão cobrando por equipamentos astronômicos. Achei interessante um comentário dizendo que "muitos astrofotógrafos se fazem de santos, mas também cobram preços abusivos por seus equipamentos". Bem, vou dizer a minha opinião sobre isso.

Se um astrofotógrafo tem uma câmera, que ele acha que é muito boa e sabe que ela vale muito e que tem gente disposta a pagar por isso. Não existe absolutamente nada de errado dele cobrar um alto valor pelo equipamento. Se ele comprou barato no exterior, foi por que também gastou com passagens, hotel e outras coisas para adquirir o produto. Se quando ele comprou a câmera o dólar estava baixo, agora está alto. Ele pode estar vendendo o produto porque está querendo fazer um upgrade e vai ter que pagar o preço atual do dólar por este novo equipamento. Não tem como ele entrar numa máquina do tempo e comprar o produto novo pelo dólar de 2014. Ele também pode não estar a fim de vender o produto tão cedo. Muitas pessoas fazem isso com imóveis, por exemplo. Quando você compra uma casa de um casal recém divorciado, pode ser que consiga um excelente preço. Mas se está de olho na casa de um morador que não está com pressa nenhuma de sair de sua residência, pode ter que pagar caro pelo imóvel.

O verdadeiro problema está no fato de que, na verdade, a maioria dos astrofotógrafos vende seus produtos usados por preços bastante em conta, só que parece que existem pessoas nos grupos de vendas de equipamentos que estão se especializando em adquirirem rapidamente produtos ofertados por valores baixos, para pouco depois revenderem por valores muito mais elevados. Elas acabam comprando o produto antes de quem realmente vai utilizar o equipamento, impedindo de comprar por um bom preço e o obrigando a pagar um valor muito maior do que o inicialmente ofertado. Para mim, é quase como um sequestro do equipamento, mas quem faz isso é mais conhecido como atravessador, neste caso, um atravessador oportunista.

No mercado de usados é possível diferenciar um atravessador de um astrônomo ou astrofotógrafo legítimo. Geralmente o atravessador tem pouco conhecimento do produto que está ofertando. Ele vai dizer algo como: "comprei e só usei duas vezes, por isso não sei muito sobre o produto". Pode até mesmo dizer que comprou, mas teve um problema financeira e nem usou, apenas tirou da caixa. Por isso, não sabe muito. Pelos anúncios deles nestes grupos você vai chegar a conclusão de que estes caras estão com um sério problema de indecisão, adquirindo vários produtos e só usando umas duas vezes. Ou mesmo, quando ele assume ser um atravessador, o que não é incomum, você pode achar que equipamentos de astronomia não servem pra muita coisa, pela quantidade de pessoas que compram equipamentos caros e usam somente duas ou três vezes antes de passar o produto para os atravessadores.

Não existem soluções fáceis contra este problema. O ideal seria o boicote contra estes vendedores enquanto eles estiverem pedindo preço que sejam abusivos. Por abusivo, entenda-se não somente o preço final, mas se você notar que estão aparecendo produtos a venda em fóruns de Astronomia e logo depois eles reaparecem a preços muito mais altos, recomendo evitar estes vendedores. Eles não são astrônomos vendendo produtos que usaram, são só gente que se aproveitou de uma pessoa pouco ambiciosa para lucrar em cima do vendedor e do comprador.

Atravessadores também costumam ter uma gama de produtos que pode estar acima do considerado normal para um astrônomo amador. Mas também não tenha preconceito achando que só por que o cara é um atravessador, merece ir para o inferno. Estes grupos também têm (poucos) bons atravessadores. Que podem praticar preços justos. Antes de comprar seu produto, pesquise o preço do equipamentos no exterior. Não compre nada que esteja mais em reais do que o preço em dólares multiplicado por dez. Por exemplo, se algo custa 100 dólares nos Estados Unidos, um preço acima de 1000 reais no Brasil tem grandes chances de estar abusivo.

O mais recomendado é, se você precisa de algo importante e espera adquirir no mercado de usados: acompanhe os fóruns e sites de vendas com muita frequência e quando aparecer um produto por um preço justo, que esteja sendo vendido por alguém que claramente prática astronomia, não espere muito para adquirir, ou peça para o vendedor reservar o produto por uns dois ou três dias, enquanto você pesquisa para saber se vai fazer a melhor compra. 

Mesmo produtos que pareçam baratos à primeira vista podem enganar o consumidor leigo. Esses dias, tinha um atravessador vendendo uma Imaging Source DBK41 usada, por dois mil reais, alegando que a câmera custava quase 500 dólares lá fora. Pode parecer uma boa oferta, mas a verdade é que, apesar de ainda custar caro, a DBK41 é uma câmera ultrapassada e ninguém com conhecimento compraria essa câmera por esse preço. Uma QHY5 ou uma ASI120 fariam imagens muitíssimo superiores, possuem entrada ST4, para autoguiagem e podem ser encontradas novas por cerca de mil reais, ou até menos quando usadas.

O mais correto é sempre procurar alguém com conhecimento antes de adquirir qualquer equipamento. Em grupos respeitados de redes sociais, como o "Equipamentos Astronômicos" é possível encontrar muitos astronômos amadores experientes dispostos a ajudar os iniciantes; Muitos vezes vemos até amadores experientes questionando sobre produtos nestes grupos. Informação nunca é demais.

No próximo post, eu fiz um levantamento de informações dadas por colegas no Facebook e Whatsapp sobre importação direta de equipamentos e vou compilar elas aqui pra vocês.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

A História da Astrofotografia no Astronomia ao Vivo

Pra quem não conhece, o ASTRONOMIA AO VIVO é um canal gerenciado pela super simpática Cris Ribeiro que geralmente faz uma transmissão nas noites de domingo, com convidados relacionados à Astronomia. Por este programa já passaram alguns dos maiores astrônomos amadores e profissionais do Brasil, além de personalidades como o astronauta Marcos Pontes. Como a Cris gosta muito de Astrofotografia amadora, volta e meia temos grandes astrofotógrafos entre os principais convidados,  falando sobre as questões mais importantes e interessantes da Astrofotografia amadora.

No último domingo, o convidado da noite foi o Conrado Serodio, um dos maiores astrofotógrafos planetários e lunares brasileiros. O Conrado fez um belo resumo da história da Astrofotografia, focando nos primórdios desta atividade, passando pela popularização da Astrofotografia entre os amadores e divagando sobre o futuro da atividade.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Em Breve: Novas câmeras para Astrofotografia planetária e de céu profundo.

Quem me acompanha com mais frequência sabe que atualmente não dá pra comprar um novo equipamento todo dia (embora eu quisesse), principalmente quando estamos falando dos equipamentos principais para Astrofotografia: câmera, tubo óptico e montagem. Mas pelo menos uma vez por ano eu faço questão de comprar um exemplar destes equipamentos, para dar uma renovada no ímpeto astrofotográfico. Afinal, quando você compra um equipamento novo, principalmente câmera ou tubo óptico, de repente se vê com disposição para registrar todos os objetos que fotografou mais uma vez, afinal, sabe que agora poderá conseguir resultados completamente diferentes.

Atualmente eu tenho dois telescópios principais, um refrator ED de 102mm de abertura e um refletor newtoniano de 200mm, além de três lentes muito boas para astrofotografia, a "quase um telescópio" Canon 200mm F2.8 EF L USM II, a boa e barata 50mm F1.8 e uma última de 10-22mm, voltada para paisagens e campos enormes. Apesar do Refrator já estar meio velhinho e o focalizador de ambos os telescópios estarem precisando serem trocados, a óptica dos dois tubos está perfeita, então definitivamente tubo óptico não é algo para ser trocado. Bem, na verdade eu até gostaria de um refletor de 300mm de abertura, para quem sabe fazer imagens planetárias de tirar o fôlego, mas esta mudança iria exigir uma montagem maior do que a minha HEQ5 atual. E uma boa EQ6 está difícil de encontrar no Brasil por menos de 10 mil reais.

Mas, com a época das secas chegando em Brasília (talvez até seca demais desta vez) e os céus começando a ficar estrelados durante a noite, a vontade de gastar foi ficando mais intensa. E neste momento surge uma promoção do site Tellescópio.com.br com câmeras da QHY e da ZWO com 25 por cento de desconto. A compra é feita por encomenda e os produtos devem chegar em cerca de dois meses. Mas eu não resisti. E adquiri dois exemplares logo de uma vez. Uma QHY5-III 224C, para fotos planetárias, e uma Câmera QHY163M Mono - Cooled. São basicamente uma excelente câmera planetária e uma ótima câmera para céu profundo.

A pequena QHY5-III 224C será usada para captura de planetas e como guiagem da 163M.

A QHY5-III224C tem o mesmo sensor da consagrada ASI224MC. Ela me trará uma experiência diferente da câmera atual, me permitindo fazer imagens planetárias sem o uso de roda de filtros. Optei pela 224C e não uma com sensor monocromático porque gosto do balanço de cores que as câmeras coloridas conseguem com planetas. Esta câmera também tem muito mais sensibilidade do que a minha atual Expanse 120 e, combinando com a saída USB 3.0, deverá conseguir uma taxa de frames absurdamente alta. 

Já a QHY163M trará uma avanço incrível para a Astrofotografia de céu profundo. Ela tem 16 megapixels, contra 1,3 da minha atual Atik 314L+. Essa diferença de megapixels não reflete de forma justa a real diferença entre as câmeras, por que o sensor CCD da Atik, apesar de pequeno, tem pixels grandes e sensíveis, ainda assim, a versatilidade e os recursos do sensor da QHY163 deverão melhorar em pelo menos duas vezes a qualidade de minhas fotografias de céu profundo.

A QHY163M tem sensor de 16 megapixels do tamanho 4/3 (pouco menor do que o de uma DSLR de entrada) e resfriamento.


A brincadeira toda ficou em cerca de 5500 reais. Dói no bolso e, até as câmeras chegarem, certamente vou ficar bastante ansioso, torcendo para que tudo dê certo. Mas eu confio no site Tellescopio.com.br. Eles têm até um banner aqui no blog, mas não é por que eles me pagam por isso. O banner foi colocado sem qualquer custo porque considero que lojas de equipamentos astronômicos são fundamentais para a Astrofotografia Brasileira e precisam do apoio de aficionados como eu.

A promoção vai até o dia 30 de maio. Pelo que entendi do site, o esquema é o seguinte. Durante um mês as câmeras ficam em promoção, mas o Tellescopio só faz a encomenda ao fim da promoção, para poder fazer um pedido de um lote maior, conseguindo preço melhores. Você pode acessar o site clicando no link abaixo:




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Júpiter, Saturno e a surpresa com a Barlow 2,25x

Júpiter, com a grande Mancha Vermelha em destaque, primeiro registro feito com a Baader 2,25 no lugar do Extender 5x da Explore Scientific

Nos últimos dois meses eu tenho me dedicado  astrofotografia planetária. O registro dos planetas, embora eles sejam tão poucos, pode rapidamente ficar tão viciante quando à astrofotografia de céu profundo. Isso acontece por que, apesar de serem num número reduzido, os planetas apresentam um comportamento muito dinâmico, mudando muito de um dia para o outro, em alguns casos até mesmo poucos minutos podem fazer uma grande diferença. Isso faz com que você fique com vontade de registrá-los todos os dias.

O telescópio que utilizo é o Orion UK VX8. Um refletor de 8 polegadas de abertura. Isto é provavelmente o mínimo que eu recomendaria para se fazer Astrofotografia planetária de forma mais séria. Se eu tivesse condições, adoraria ter um telescópio de pelo menos 12 polegadas (300mm).
Meu refletor tem 900mm de distância focal, o que lhe dá uma razão focal de 4,5. É basicamente um telescópio curto e como a Astrofotografia planetária é geralmente feita com razões focais acima de F20, eu logo adquiri um Extender de 5x da Explore Scientific para usar com este refletor.

A combinação Orion UK VX8 mais Extender 5x sempre se mostrou uma combinação interessante, com alguns problemas. O principal é que eu quase nunca consigo capturar com o filtro de luminância com este Extender. Sempre que tento capturar a luminância o resultado é uma imagem sem detalhes. Geralmente tenho que usar o vermelho como luminância, o que tem o inconveniente de fazer a Grande Mancha Vermelha desaparecer.

O Extender (Extensor) 5x da Explore Scientific e a Barlow 2,25x da Baader.


Meio desapontado com o Extender, no dia oito de abril, resolvi trocar por uma Barlow de 2,25 que comprei para usar no refletor não com planetas, mas com capturas de céu profundo, algo que ainda estou devendo. Coloquei a Barlow e de cara me impressionei com o contraste que a imagem de Júpiter mostrava com o filtro de luminância, mesmo que o planeta estivesse menor. Resolvi fazer algumas capturas. A primeira coisa que notei foi, devido à menor razão focal, uma maior absorção de luz. Com a Barlow eu podia capturar muito mais frames por segundo do que com o Extender 5x. Uma média de quatro vezes mais, e como o planeta ficava pequeno na tela, isso não consumiu muito espaço em disco e permitia uma taxa de frames veloz através da entrada USB da câmera Expanse. Cheguei a mais de 110 frames por segundo. Na hora de integrar os frames, para compensar o menor tamanho do planeta, usei Drizzle de 3x.

O resultado final com a Barlow 2,25x me surpreendeu, estando melhor do que a grande média de capturas que fiz com o Extender 5x, com a vantagem de que pude sempre usar o filtro de luminância. É interessante, pois estou usando uma razão focal de aproximadamente F10, bem mais baixo do que o recomendado para este tipo de registro. Mas acredito que fotografar com este setup seja muito semelhante a fotografar com mais aumento se a minha câmera tivesse pixels maiores, que fossem mais sensíveis. O uso de Drizzle em câmeras com pixels grandes costuma ser muito eficiente. E com capturas de mais de 20 mil frames, acabo conseguindo resultados surpreendentes com essa Barlow. 

Alguns astrofotógrafos não concordam comigo, mas eu começo a me perguntar seriamente se fotografar em F10 não seria melhor do que registros com a razão focal acima de F20, utilizando menores ampliações para se conseguir mais sensibilidade, com mais frames por segundos e compensando o menor aumento com o recurso de Drizzle.

Registro feito mais recentemente. Nesta imagem gostei muito dos detalhes das regiões mais próximas aos polos.


Outra vantagem que percebi com o uso da Barlow, foi uma menor diferença entre o brilho dos planetas e de seus satélites naturais. Essa diferença foi tão grande que até mesmo numa captura de Saturno as luas deste planeta apareceram. E olha que geralmente fotos de Saturno e suas Luas só são possíveis com capturas separadas do planeta e das Luas, montadas depois no Photoshop, quando chegam a se usar frames de até um segundo de exposição para capturar as Luas.



Mesmo sem o uso de técnicas de capturas com tempos de exposição elevado para as luas de Saturno, elas apareceram nesta captura com a Barlow 2,25.

Bem, se fotografar em distâncias focais menores e vantajoso a distâncias maiores é algo que ainda não tenho, mas o que posso dizer é que a Barlow que estou usando, a Baader Hyperion Zoom Barlow 2,25x realmente foi uma aquisição surpreendente e que está me impressionando com os resultados e certamente virou o meu instrumento principal de Astrofotografia planetária.

Abraços a todos!

terça-feira, 25 de abril de 2017

Finalmente a venda: Astrofotografia Prática - O Guia da Fotografia do Universo.


Foram quase três anos de trabalho. Muitas e muitas noites em que deixei de astrofotografar, ver filmes ou mesmo ficar com minha família por causa desse projeto. Mas finalmente a jornada está chegando ao fim. Já está a venda a versão impressa do Astrofotografia Prática - O Guia da Fotografia do Universo, o primeiro guia sobre Astrofotografia feito por um brasileiro, o primeiro em língua portuguesa na era digital.

São 220 páginas em formato A4, com cerca de 160 ilustração coloridas. O livro pode ser adquirido em 3 acabamentos diferentes, brochura, capa dura ou espiral, sendo o último mais recomendado para quem pretende realmente grudar no livro e levar para todo lugar. Eu, é claro, devo imprimir uma versão em capa dura para mim.

Você pode adquirir a versão impressa do Astrofotografia Prática nos links abaixo:
O Ebook levará mais umas duas semanas para ficar pronto, pois terá uma diagramação diferente, em formato A5 e com somente uma coluna. Neste formato, o livro terá 460 páginas. Uma prova de como o conteúdo é extenso. Será uma diagramação otimizada para a leitura em tablets e até mesmo em celulares. 

Agradeço a todos que me apoiaram neste projeto!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Abril de 2017: mês decisivo para a publicação do livro

Exemplar impresso do livro Astrofotografia Prática, que estou revisando.

Entramos finalmente no mês de abril, que conforme o banner aqui do lado é a data de publicação do esperado livro de Astrofotografia que passei os últimos três anos desenvolvendo. Acredito que até o fim deste mês eu finalmente publicarei a obra. Eu até tinha uns dois ou três posts que queria desenvolver melhor para este blog este mês, mas o desafio de uma última revisão, para entregar o melhor livro possível, tem consumido todo o meu tempo disponível.

Bem! Vamos falar um pouco sobre o livro e tirar as últimas dúvidas. Ele será publicado pela plataforma AGbook/Clube de Autores. Pra quem não conhece, trata-se de uma plataforma de autopublicação. Nestes sites, pode-se encontrar de tudo, de livros de ciência esmerados a obras picaretas de esoterismo. Mas devo dizer que já adquiri uma cópia teste do livro com eles e a qualidade da impressão é muito boa.

Durante o tempo em que estive escrevendo o Astrofotografia Prática, certamente o maior problema que enfrentei foi o custo de impressão. Por se tratar de uma obra de nicho, de tiragem pequena, sempre existiu o fantasma de que o livro poderia ficar caro demais para imprimir. Certamente seria bem mais barato se fosse impresso numa grande tiragem, com o apoio de uma grande editora, mas como no momento eu estou meio que publicando por conta, a melhor solução de longe é o sistema da AGbook/Clube de Autores. Nestes sites, cada vez que alguém compra um livro, ele é impresso e enviado para o comprador.  Quanto maior o livro, mas cara é a impressão. Ser colorido também encarece a produção. Na verdade, é de longe o fator que mais encarece a impressão, mas não consigo imaginar meu livro em preto e branco. Como falaria de balanço de cores, saturação, composições e Hubble Palette em preto e branco?
Para tornar a obra mais barata, fiz o layout com o texto em duas colunas, o que reduziu o volume do livro de quase 300 para 230 páginas, sem qualquer redução do conteúdo ou do conforto da leitura e até dando um aspecto mais bonito à diagramação. Vale lembrar que é um livro grande, impresso em A4. Se estivesse impresso em A5, com uma coluna e fonte 12, teria umas quinhentas páginas. Para quem não quer pagar mais caro e nem carregar peso, será publicado um E-book. O Ebook é legal, mas tenho que dizer: a versão impressa ficou tão bonita que acho que vale a pena, sem contar que a leitura foi planejada para ser feita num livro impresso. Não sei como a leitura vai ficar num Ebook. 

O livro Astrofotografia prática custará 150 reais na versão impressa e pouco menos de 40 na versão Ebook, que ainda não decidi se será epub ou PDF. 176 Imagens ilustram a obra, que engloba os três grandes campos da Astrofotografia, aquisição de equipamentos, captura (ou captação) e processamento de imagens. Há um extenso glossário no final, com todos os termos técnicos mais relevantes e será disponibilizado um link onde os leitores poderão trabalhar com os arquivos utilizados nos tutoriais e fazer o download dos softwares e plug-ins gratuitos mencionados. O prefácio foi escrito pela lenda da astrofotografia brasileira, José Carlos Diniz. E as primeiras vinte páginas serão disponibilizadas para leitura nos sites de publicação, para quem quiser examinar a escrita antes de adquirir a obra.

Algo que me deixou um pouco triste é que muitas pessoas estão me pedindo um cópia autografada, mas o problema é que, como o livro será impresso e enviado sem passar por mim, não teremos esta possibilidade no momento da venda, mas eu me comprometo a assinar qualquer exemplar, com dedicatória, de qualquer um que puder se encontrar comigo.

É isso aí pessoal. Eu estou numa baita ansiedade aqui e não vejo a hora de ver esse livro publicado. Será que vão gostar? Vão criticar muito? Encontrar erros? Nem gosto quando as pessoas me lembram como foi longo o tempo em que estive escrevendo a obra, mas apesar de todas as dificuldades, do pouco tempo disponível e da dimensão do projeto, sempre segui em frente. E parece que finalmente estou chegando lá.

Obrigado a todos que estiveram me apoiando neste período.