domingo, 22 de dezembro de 2013

Nebulosa da Roseta em Hubble Palette - Tirando tudo o que dá!

Nebulosa da Roseta, captada com 27 frames de 10 minutos e RGB inserido de uma foto feita com a lente de 135mm.

Eu não me lembro quando foi a última vez que tivemos um céu bom para astrofotografia aqui em Brasília. Deve ter sido faz quase dois meses. É realmente uma lástima visto a quantidade de objetos incríveis que estão lá em cima atrás das nuvens.

Nesse período houve uma única captação, da Nebulosa da Roseta, também conhecida como Caldwell 49, já que NGC 2244 na verdade é o aglomerado aberto localizado no centro da Nebulosa. Formado por estrelas jovens que são fruto dos gases agora ionizados por elas.

A imagem acima não está ruim. Na verdade considero uma de minhas melhores e estou muito feliz com a Lente de 200mm FD. O campo conseguido com a lente no sensor da Atik 314L realmente se parece muito com uma câmera full frame num apo de uns 700mm de distância focal, mas muito mais leve e barato, embora sem a mesma resolução.

Mas essa foto teria ficado muito melhor se eu tivesse conseguido o tempo de exposição que queria. A ideia era algo em torno de umas doze horas ou mais. Mas depois de duas noites de captação em H-Alpha, uma com as estrelas deixando rastros e outra com o foco ruim, passou-se quase um mês sem um céu ao menos aceitável. E vale lembrar que os dois dias de captação que consegui também foram repletos de nuvens, aproveitando-se alguns buracos esporádicos no céu.

A ideia era captar mais umas quatro horas de H-alpha e umas duas de Oxigênio e Enxofre para conseguir uma foto realmente legal desta nebulosa. Mas tanto demorou-se para o céu abrir que comecei a brincar com uma foto colorida da Nebulosa da Roseta da época da lente de 135mm, pior, uma foto totalmente defeituosa em que as estrelas estava com halos gigantescos por causa de uma configuração ruim dos filtros, que estava muito a frente do que deviam. A ideia era usar está foto com a lente de 135mm como fonte de cor para a imagem captada com a lente de 200mm em H-alpha.

Tirar os halos não foi fácil, mas de filtro blur em filtro blur, seguido de ajustes, eles foram enfraquecendo até chegarem a uma configuração aceitável. Assim chegou a umaponto, de impaciência com o céu e de bom processamento, que decidi publicar a imagem com as cores da imagem de 135mm e as acidentadas quatro horas e meia de exposição que tinha.em H-Alpha. Isso me dá liberdade para tentar outros objetos no dia que o céu der uma trégua e irei deixar uma nova captação de Roseta com a lente para os próximos anos.

A imagem usada para colorizar a imagem acima. Repare nos enormes Halos em volta das estrelas mais brilhantes. Tirá-los para usar as cores na imagem com a lente de 200mm foi um desafio.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Na chuva, sobram (bons) reprocessamentos em Hubble Palette

Essa é provavelmente á pior época que eu pego em Brasília, desde que comecei na astrofotografia. Já faz mais de um mês que o céu não me dá chance para uma imagem nova. E eu já conto cinco montagens de setups que não deram em nada. Faz dois dias o céu até abriu quase que totalmente, mas assim que o setup estava pronto para as primeiras imagens, apareceram umas nuvens pequenas acima de minha cabeça, que logo viraram nuvens enormes e, meia hora depois, com o meu setup já devidamente guardado, estava chovendo.

O que me deixa mais triste ainda é a profusão de objetos fantásticos lá em cima esperando para serem fotografados. E a grande maioria é adequado a fotografia com lentes, o meu estilo preferido. E essas nuvens vão ficando e esses objetos vão passando cada vez mais cedo para o outro lado do prédio e eu vou ficando só na vontade.

Mas essas épocas horríveis de céu fechado acabam tendo umas poucas vantagens. Talvez a maior delas é que eu acabo passando muito mais tempo reprocessando imagens. Reprocessamento não é uma coisa simples, na maioria das vezes a alegria acaba quando eu resolvo comparar a nova imagem com a anterior, e descubro que não melhorou nada, ou pior, a antiga estava melhor.

Felizmente recentemente tive uma boa série de bons reprocessamentos, quase todos são devido a um domínio maior não do Photoshop, mas de um programa gratuito chamado Fitswork. Aprendi alguns macetes simples que tem me ajudado muito. Basicamente são: sempre juntar um Luminance com o RGB depois de juntar os três canais para a imagem colorida e aplicar o filtro Blur no RGB antes da junção. o filtro Blur, inclusive ajuda muito a corrigir os erros de alinhamento que eram comuns em minhas imagens anteriores, já que o blur deixa estrelas coloridas com uma cor uniforme.

Nebulosa Cabeça do Cavalo - Duas horas e meia de H-Alpha com a lente de 200mm se juntaram ao RGB captado com a lente de 125mm, no começo de 2013.

A Nebulosa da Lagoa, captada em H-Alpha com apenas 6 frames de 6 minutos pelo telescópio, recebeu o RGB de uma imagem feita com a Lente de 135mm

Esta imagem da Lagoa com a lente de 135mm, acompanhada da Nebulosa da Trífida, também está muito melhor.

Até a Lagoa captada pela Canon no Quinto EBA recebeu o Hubble Palette. Uma imagem com RGB de CCD e Luminance de DSLR não é lá algo muito comum.
Eu já havia processado essa imagem de NGC6188 duas vezes, mas só agora consegui o resultado que esperava.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Primeiras imagens com Canon 200mm FD 2.8




Eu estava navegando no Site Astrobin, onde armazeno muitas de minhas astrofotos quando resolvi olhar minha lista de equipamentos utilizados em astrofotografia. Pois eu precisava adicionar uma recém adquirida Canon 200mm F2.8  FD. Não pude deixar de notar que a minha lista de equipamentos neste site consta com doze lentes/telescópios e seis câmeras de captação. Um numero bastante interessante para 3 anos neste hobbie. 
 
Devo deixar claro que eu não tenho 12 lentes/telescópios comigo, muito menos seis câmeras. Atualmente conto com o Telescópio ED de 102mm, esta lente de 200mm e também outra de 50mm F1.8. As outras lentes/telescópios ou foram emprestadas de amigos ou eram minhas e foram vendidas para aquisição de outros equipamentos, como as 135mm da Takumar e da Canon. 
 
A belíssima 135mm F2.0, por sinal, também foi vendida. Não foi fácil me desfazer dela, mas ela nunca se entendeu com a CCD e eu estava sem grana para comprar a desejada lente de 200mm. A falta de grana fica ainda mais claro se vocês notaram que, ao invés de comprar a sonhada 200mm 2.8 EF USM eu acabei foi pegando uma antiga FD. Um notebook estragando também ajudou na decisão pela economia. Mas como meu amigo Marcelo Domingues, do CASB, disse para mim quando eu falei que estava pensando em comprar essa lente FD: foi um verdadeiro tiro no Escuro. A compra foi feita influenciada principalmente pelo astrofotógrafo do site Astro Anarchy que fez muitos elogios à 200mm F2.8 FD. 
 
Até ontem o céu estava tão fechado em Brasília que, apesar de eu ter montado o Setup duas vezes, não tinha conseguido fotografar nem estrela com esta lente. Pelo contrário, a melhor foto que havia conseguido foi a do raio que aparece no fim do post. 
 
A 200mm FD já havia dado indícios de que não se entenderia bem com a Canon T2i, mas eu tinha muitas esperanças de que ela e a CCD Atik 314L tivessem mais afinidades e quando vi que o céu estava completamente aberto ontem, não me importei com a Lua quase cheia perto da constelação de Orion e nem com o fato de eu ter que acordar sete e meia da manhã no dia seguinte. Era hora de brincar com o novo brinquedo. 
 
Foram 15 frames de 10 minutos, totalizando duas horas e meia de exposição para se produzir uma imagem monocromática, feita somente com o filtro H-alpha de 7nm. O foco saiu completamente ruim, devido ao fato de que eu o fiz com muita pressa no intervalo de The Walking Dead, mas pude corrigir muito no processamento. 
 
No fim a lente se mostrou imperfeita em sua imagem final, mas ideal para minhas intenções. Tenho certeza de que em 2013 irei brincar muito com ela. O objetivo agora é conseguir a primeira imagem colorida, vamos torcer para que as nuvens permitem que isto não demore muito.

Raio cai próximo ao Banco Central em Brasília. Bela imagem feita com a Canon T2i e a 200mm FD, mas que mostra como o diálogo da lente FD com a Canon é difícil. Nota, não há adaptador ótico, a lente foi modificada encurtando-se um pouco seu corpo, para conseguir foco com as Canons digitais.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nebulosa da California - NGC 1499 direto do apartamento

O setup com CCD e lente na varanda. Também é possível ver a azul DBK41 acoplada ao Miniguider 50mm.

Eu andei um tempo longe da astrofotografia. Dificuldades de conseguir uma sessão tranquila e outras atividades acabaram me cansando e fiquei alguns meses sem astrofotografar. Entretanto há algumas semanas, sem nenhuma razão aparente, somente vontade pura, tenho voltado com carga total a atividade, inclusive fazendo algumas alterações interessantes no Setup.

A grande novidade é que agora estou usando auto-guiagem para fotografar com a combinação Lente+CCD, isso da varanda do meu apartamento. Peguei dois dovetais, alguns parafusos, um pouco de durepoxi e montei uma combinação interessante, com lente, CCD, miniguider de 50mm, DBK41 como câmera guia e uma luneta barata como buscadora.

Achei legal que o conjunto, agora mais pesado, me permite usar o contra-peso da H-EQ5 e deixar tudo balanceado, o que dá mais segurança e melhora o acompanhamento (antes eu fotografava sem contra-peso), mas principalmente, o bom balanceamento é fundamental para uma autoguiagem eficiente. Eu até planejava fazer contra-pesos mais leves num torneiro, mas acabou que isso não foi necessário.

O resultado foi que, com uma setup bem leve e distância focal curta, pude fazer frames de 10 minutos mesmo na varanda de meu apartamento, com zero dificuldade, diga-se de passagem, o que me deixou muito feliz.

É claro que nesta época do ano não basta estar com o Setup em dia para boas astrofotos. Na grande maioria das noites o céu esta muito fechado e algumas noites de céu aberto podem ser bastante enganadoras, com um céu embaçado, que, embora permita a astrofotografia, provoca uma queda muito grande na qualidade final da imagem.

O alvo da noite foi a Nebulosa da Califórnia, com 18 frames de 10 minutos, totalizando 3 horas de exposição.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sexto EBA: Nebulosa Gama Cygni


Saindo do forno mais uma imagem do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia feita pelo autor deste blog. Trata-se da Nebulosa Gamma Cygni. A imagem acima foi feita com uma técnica interessante. Capta-se o luminance (imagem em preto e branco com detalhes do objeto) com a Atik 314L+ e o filtro h-alpha de 7nm enquanto o RGB é capturado com a Canon T2i modificada. Ambos com a lente de 135mm F2.0

A Nebulosa Gamma Cygni é uma das mais fáceis de se encontrar no céu, pois está exatamente atrás da estrela Gamma Cygni (daí o seu nome). Gamma Cygni é uma brilhante estrela bem no coração do asterismo da constelação do Cisne com magnitude +2.2 (asterismo são as estrelas cuja composição formam o desenho que dá o nome a uma constelação, já a constelação é uma área demarcada no céu, como um loteamento). A estrela não faz parte da nebulosa. A nebulosa está a mais de 3 mil anos luz de distância enquanto a estrela está a um pouco mais de metade deste caminho.

A nebulosa Gama Cygni é catalogada como IC 1318, é também é chamada de ButterFly Nebula (Nebulosa da Borboleta), nome que divide com a planetária NGC 6302, que por sua vez também é chamada de Bug Nebula.

Na imagem abaixo vemos a captação feita com a Canon T2i e a Lente de 135mm, apesar de menor resolução a imagem tem bem mais campo. É possível vermos a Nebulosa Crescente, NGC 6888 na parte superior esquerda da imagem. A constelação do Cisne, como Sagitário, Escorpião e o Cruzeiro do Sul, está na frente de Via láctea, sendo uma área interessantíssima para observação e fotografia de nebulosas.


domingo, 14 de julho de 2013

Sexto EBA: Alpha Centauri, Hadar e, principalmente, Proxima Centauri


Clique na imagem para ver maior

Chegou a hora de começar a mostrar as fotos que fiz no Sexto EBA. Começo com a primeira foto de Wide Field que fiz. Os alvos foram as estrelas Alpha Centauri e Hadar. Uma das poucas áreas que não estavam cobertas por nuvens naqueles primeiros momentos da noite de sexta-feira em que o EBA começou (os dois primeiro dias tiveram algumas nuvens que depois sumiram, para alegria de todos).

Trata-se de uma imagem simples, composta por 32 frames de apenas 45 segundos de exposição, feitos com a Canon T2i sobre a montagem CG-5GT e com a lente de 135mm. Vale lembrar que a minha CG-5GT, que parecia estar com problemas, trabalhou muito bem no EBA, me deixando mais tranquilo em relação a seu funcionamento. Com o passar dos dias, eu fui aumentando o tempo de exposição, enquanto aperfeiçoava o alinhamento da montagem.

O mais legal da foto acima é que o objeto mais interessante para mim é apenas um pequeno ponto vermelho, que aparece misturado com a infinidade de estrelas. Trata-se de Proxima Centauri, a terceira estrela do sistema de Alpha Centauri, composto por duas estrelas de tamanho próximo ao Sol e uma anã vermelha, Próxima Centauri. Esta estrela é conhecida por ser a mais perto da Terra depois do Sol e é curioso que seja tão difícil de achar. Também acho surpreendente que esteja a enormes 0,2 anos luz de seu sistema central. Plutão, por exemplo, está a apenas 5 horas luz do nosso Sol. A estrela é considerada como parte do sistema de Alpha Centauri por estar presa gravitacionalmente às duas irmãs maiores, orbitando em torno do centro gravitacional das duas.

Abaixo eu fiz um crop da imagem acima. Neste crop vemos a posição de Proxima Centauri. Me surpreende ver como a estrela esta longe de seu sistema central e também por ser pouco tão pouco brilhante para a estrela mais próxima do Sol. Deve ser pouco visível até mesmo de um planeta em seu sistema central, brilhando como uma estrela pálida no céu. Já li histórias de que se desconfiava que o nosso Sol também teria uma estrela vermelha o orbitando, chamada Nêmesis, mas nunca foi encontrada e provavelmente nunca será, pois a sua ação gravitacional já teria sido identificada.

Proxima Centauri. A estrela mais próxima do Sistema Solar é o ponto vermelho ao lado da seta.


sábado, 13 de julho de 2013

Voltando do Sexto EBA

Participantes do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia preparam seus setups.
Foto de Severino Fidelis de Moura, participante do Sexto EBA
Estou de volta do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Foram seis noites sob o céu da Chapada dos Veadeiros. Foi um EBA longo para mim, pois nos outros dois que participei eu havia ficado apenas quatro dias. Foram noites completamento irregulares, onde eu tive a que foi certamente a minha melhor noite até hoje na chápada (a quinta onde não houve nuvens nem umidade), mas também houve momentos em que cheguei a pensar em ir embora (na terceira noite, quando minhas cintas térmicas falharam e eu não conseguia terminar uma exposição antes da lente embaçar por causa da umidade excessiva).

Na soma de tudo, acho que foi um ótimo EBA. Tenho cerca de trinta imagens para processar e publicar nos próximos dias. Acredito que tenho diversão e desafios para o próximo mês. Grande parte dessa produção foi devido a Canon T2i sobre a CG-5 fazendo imagens em Wide Field com a lente de 135mm, mas também fiz imagens com o CCD Atik 314L+ no telescópio sobre uma H-EQ5 que acho que vão ficar bem interessantes. 

Na parte do CCD posso inclusive dizer que, mais do que produzir, aprendi muito com este EBA. Normalmente diz-se que o EBA não é lugar para se fazer testes, mas todos os que vão ao evento, mesmo os mais experientes (o que ainda não chega a ser o meu caso), acabam aprendendo algo na enorme troca de conhecimentos e experiências entre os participantes.

Esse foi o maior EBA que participei. Haviam cerca de 25 telescópios, desde setups simples até equipamentos bem avançados. Acredito que quase todos os participantes saíram de lá com ótimos resultados e acho que centenas de imagens surgirão do evento. Eu mesmo não vejo a hora de ver o que os outros astrofotógrafos fizerem.

Para começar, deixo aqui uma primeira imagem feita por mim. Da Lua surgindo no começo da noite, sendo iluminada pelo Sol na faixa clara (e estourada) mas também pela Terra, na parte mais escura, fenômeno chamado de Luz Cinérea. Isso  ocorre por que neste momento, da Lua, a Terra aparece quase toda iluminada pelo Sol. É basicamente uma Terra cheia, cuja luz emitida nos permite ver detalhes da parte da superfície lunar que não está iluminados pelo Sol.

Lua em 09 de julho, iluminada pelo Sol e pela Terra.
Fotografada com a Canon T2i e lente de 135mm


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Qual foto da Lua você prefere? Com ou Sem tratamento.

Vou levantar uma questão interessante aqui no Blog. Recentemente eu postei duas fotos da chamada Super Lua de 23 de junho, evento em que a lua está mais próxima da Terra durante a Lua cheia. As duas fotos foram muito bem recebidas pelas pessoas. Juntas totalizaram cerca de 2 mil partilhas no Facebook. Um recorde para este astrofotógrafo.

A diferença entre as duas fotos é que a primeira, foi publicada quase sem processamento, mostrando o disco da Lua quase todo branco. A segunda recebeu um tratamento mais apurado. Foi alinhada, teve as cores ajustadas, mas, acima de tudo, recebeu o complemento de uma outra foto da Lua, tirada alguns minutos depois, com um tempo de exposição muito menor. Neste segundo "frame" o cenário em volta estava todo escurecido e por isso os detalhes do disco apareceram claramente. 

Juntar imagens com tempo de exposição diferentes é uma técnica muito celebrada em fotografia, chamada HDR. ela é usada frequentemente por que os sensores das câmeras parecem ser muito mais sensíveis do que nossos olhos. Por isso, quando fotografamos uma pessoa contra a Luz, corremos o risco da foto mostrar apenas o contorno da pessoa, sem nenhum detalhe. Já em astrofotografia este tipo de artifício pode ser considerado uma alteração na imagem.

Por isso tudo estou publicando abaixo as duas imagens feitas durante a última Super Lua e, na enquete acima, peço para vocês votarem de qual imagem gostaram mais. Também acharia legal se comentarem os motivos no campo de comentários deste post.

Um grande abraço a todos.

                                                  A imagem da Lua SEM tratamento



                                                  A imagem da Lua COM tratamento


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Super Lua de 23 de junho, fotografada com a Lente de 135mm



Neste domingo foi dia de Super Lua. Dia em que a Lua cheia coincide com o momento em que a Lua está mais próxima da Terra. Um belo momento para fotografar nosso satélite natural nascendo no charmoso horizonte de Brasilia.

A foto acima, pra variar, foi feita da varanda do meu apartamento. Nem sequer tripé usei, apenas apoiei a câmera no muro da sacada. Para conseguir mostrar a detalhes da Lua e não apenas um disco branco, devido ao brilho excessivo de nosso satélite, tive que juntar duas fotos, uma mais brilhante, com destaque para a paisagem e outra, com tempo de exposição bem menor, feita para mostrar detalhes da Lua.

É isso aí pessoal, eu tive duas semanas ruins com astrofotografia. A minha CG-5gt deu problema. Não está acompanhando direito os astros, isso a apenas duas semanas do EBA. Mas uma H-EQ5 já está a caminho e o ânimo para o EBA está com forço total. Além disso, semana que vem uma pequena surpresa pode aparecer aqui, se um projeto que tenho para o fim de semana for bem sucedido.

sábado, 8 de junho de 2013

Nebulosa da Lagoa com a Atik 314L - Finalmente o CCD no telescópio!

A primeira da Atik no telescópio. O resultado me deixou muito feliz.

Demorou um tempão, mas finalmente fotografei um objeto de céu profundo com a CCD monocromática Atik 314L usando o ED de 102mm. Na verdade deste o dia 30 de outubro de 2012, sete meses atrás, eu não tirava uma foto utilizando telescópio (Estou desconsiderando as imagens feitas com o Fabrício, onde eu somente ajudei).

Fotografar com telescópio é muito mais difícil do que se fotografar com lentes. Principalmente num CCD com sensor pequeno como o meu. O campo é muito menor, a distância focal maior torna o alinhamento muito mais difícil, sendo praticamente obrigatório o uso de auto-guiagem, até por que em meu ED a captação de luz, em F7, é muito mais lenta do que nos F2.5 que costumeiramente uso na lente. Tudo isso me afastou um pouco da astrofotografia de céu profundo com telescópio nos últimos meses, tanto que no último Enoc eu nem cheguei a levar o ED.

Mas a verdade é que eu nunca desisti da astrofotografia com telescópio, pelo contrário, durante este período estive mesmo é melhorando o Setup, principalmente a auto-guiagem. A guiagem antes era feita atráves de um TravelsCope da Celestron, de 70mm colado aos anéis do ED 102mm com durepox. Agora é feita com um Miniguider de 50mm da Orion, que nada mais é do que uma buscadora de 50mm em que você pode colocar a sua câmera de Guiagem. Eu coloco ela no lugar da buscadora na hora de fotografar e deixo o setup muito mais leve do que antes. O baixo peso da Atik 314L+ e do conjunto para filtros de 1,25 também ajudam a tornar as coisas muito mais leves para a CG-5GT.

O Setup com o telescópio. Em cima, vemos a auto-guiagem com o Miniguider de 50mm e a DBK41.

O primeiro alvo escolhido para fotografar com  a CCD foi a Nebulosa da Lagoa, que se revelou um alvo fácil de achar por seu brilho, mas difícil de enquadrar devido ao grande tamanho para o sensor da Atik 314. Eu até admito que o ideal na foto acima teria sido girar a câmera 90 graus antes de começar a capturar os frames, mas tenho que dizer que estava muito difícil reconhecer o que eu estava vendo com os frames curtos que uso para fazer os ajustes de enquadramento (em média com 10 segundos de exposição).

O ponto mais importante da noite era, sem dúvida, testar a auto-guiagem com o miniguider. Eu sei que com o telescópio só vou conseguir imagens legais com exposições acima de 3 minutos, e em banda estreita (Hubble Palette) o ideal é até que seja mais do que isso. Por isso, se a auto-guiagem não corresse bem, pelo menos aqui da varanda do meu apartamento a astrofotografia com telescópio não teria futuro.

Mas para minha alegria a guiagem com o Miniguider funcionou perfeitamente. Bastou a primeira calibração no software PHD Guiding que a montagem passou a acompanhar perfeitamente a estrela de guiagem. Comecei com frames de quatro minutos, mas logo percebi que poderia aumentar para seis. Só foi uma pena que após três frames de seis minutos o céu começou a nublar, a guiagem se perdeu e achei melhor recolher as coisas, o que foi uma boa ideia, pois o céu não voltou a melhorar.

Apesar das nuvens, consegui três frames de quatro minutos e três de seis minutos, somando meia hora de exposição, o que é um tempo aceitável para um primeiro teste e considerei os resultados muito bons. Fico ansioso para novas fotos, onde a partir de agora, vou ver o universo ainda mais de perto.

Aqui juntei a imagem de ontem (Luminance) com outra capturada com a Canon T2i durante o Quinto EBA (RGB). 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Rho Ophiuchi com a lente de 50mm. Quando o bom também é barato


Vejam a imagem acima. algumas pessoas tem dito que ela é a minha melhor  imagem. Não sei se é verdade, mas tenho que dizer que gostei muito dela. Trata-se do complexo nebular de Rho Ophiuchi, uma das regiões mais bonitas do céu.

A imagem foi feita durante o último Enoc, com a técnica simples de colocar câmera e lente sobre a montagem porcamente alinhada, tentar alguns lightframes e fazer darkframes. A câmera foi a Canon T2i modificada, mas é a lente que tenho que destacar. O "telescópio" usado para a foto acima foi uma lente Canon EF 50mm F1.8, que custa 120 dólares do exterior e no Mercado Livre pode ser encontrada nova por valores entre 300 e 400 reais. Uma pechincha em se tratando de lentes. Na verdade acho que é a lente mais barata da Canon.

Apesar de ser muito barata, a lente EF 50mm F1.8 sempre foi uma grata surpresa em praticamente todas as situações em que a utilizei. Seja filmando em locais escuros com a GH2, seja fotografando minha família ou mesmo paisagens, a qualidade desta lente sempre me impressionou. Enquanto a lente 18-55mm que vem com o kit da Canon trabalha em 50mm com uma distância focal de F5.6, a fixa EF 50mm F1.8 consegue ser até nove vezes mais rápida nesta mesma distância focal. Ou seja, o que a lente do kit faz em um décimo de segundo, a F1.8 precisa de apenas um centésimo. Isso pode significar a diferença entre precisar ou não de um tripé para fotos normais.

Mas não é só isso. Com uma abertura de F1.8 mesmo uma foto feita sob a luz do Sol fica muito melhor, pois fica com mais profundidade, pois com ela conseguimos aquele belo efeito em que vemos as pessoas em foco e o fundo completamente desfocado, dando muito mais destaque para o alvo da foto enquanto com a lente 18-55 a imagem fica chapada.

Mas é claro que em Astrofotografia não basta a lente ser clara, ela também precisa ser uniforme, garantindo o foco em toda a sua extensão e não produzindo coma na imagem final. Sim, a 50mm F1.8 não produz uma imagem plana com o diafragma totalmente aberto, mas na boa distância focal de 3.2 a imagem fica perfeita. A 18-55mm do kit também não fica perfeita em F5.6 precisando fechar ainda mais a lente.

Com uma distância focal de apenas 50mm, o alinhamento não precisa estar em sua plenitude, por isso pude fazer tempos de exposição de 90 segundos para a imagem acima sem que as estrelas apresentassem arrasto.

Eu acredito que é esta lente de 50mm que deveria acompanhar as DSLRs de entrada e não a 18-55mm, que sou obrigado a dizer, é de qualidade sofrível quando comparada com esta 50mm. Na verdade todas as lentes Zoom baratas da Canon, como a 70-300mm ou a 55-200mm são sofriveis. Mas acho que a 50mm não acompanha as câmeras por que as pessoas (eu me refiro ao público leigo) estão acostumadas demais com a ideia de que boas câmeras são as que tem mais zoom e não aceitariam bem uma lente sem  nenhum zoom, mas a verdade é que me parece que muitas pessoas só veem o quanto as suas DSLRs podem ser superiores a uma câmera compacta ou mesmo uma superzoom quando adquirem esta lente. Talvez por isso a 50mm F1.8 seja tão barata, o seu preço é a melhor forma de atrair os proprietários de DSLR para o mundo das lente de grande abertura.

Abaixo segue outra imagem com a mesma lente, dessa vez destacando o centro da Via Láctea.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Vigésimo Primeiro ENOC, finalmente um céu escuro

O Cruzeiro do Sul, com a Canon T2i e a lente de 135mm F2.0

Cruzeiro do Sul
Luziânia - Goiás - 11 de maio de 2013
Exposição 21x90 segundos ISO 800
Canon T2i modificada
Canon 135mm F2.0 @2.5
Celestron CG-5GT

Esse fim de semana foi de Encontro Observacional do CAsB, quando o Clube de Astronomia de Brasilia organiza um evento numa fazenda ou pousada distante das luzes de Brasília para desfrutarmos de um céu sem poluição luminosa. Nesta edição o encontro foi numa fazenda, próxima de Luziânia, em Goiás. O Local não tem um céu como o da chapada dos Anões, mas é um deleite para quem está acostumado com o céu urbano de Brasília.

Eu fiz sete fotos. Quatro boas, duas mais ou menos e uma fail. Muito para uma noite apenas, já que não pude ir na sexta, devido ao trabalho. O elevado número de fotos numa única noite é principalmente pelo fato de que o Setup usado foram duas lentes, as Canons F135mm F2.0 e a 50mm F1.8, que foram usadas não com a Atik 314L, mas sim com a Canon T2i modificada, já que a Atik 314L foi distraidamente esquecida em casa.

No fim acho que ter esquecido a Atik foi algo até bom. Num céu escuro, bom mesmo é usar a Canon, que sendo colorida e tendo um grande campo acaba sendo muito mais divertida de usar do que a CCD monocromática. 

Me impressionou, principalmente, em ver como a lente 135mm F2.0 se comportou de maneira totalmente diferente da DSLR em relação à CCD. Na CCD focar é um martírio, e quando você pensa que atingiu o foco perfeito a imagem bagunça e halos surgem nas estrelas, quando os halos somem a imagem fica com um coma enorme, o que era inesperado para um sensor muito menor do que o da T2i. Nesta, mesmo em F2.0 a lente de 135mm quase não apresenta coma. A imagem acima foi feita com o diafragma aberto em F2.5 e não houve crop nem correção do coma. Mostrando que a lente valeu a grana pesada que investi nela.

domingo, 28 de abril de 2013

Dicas básicas para quem quer começar na Astrofotografia

Eu fiz o post post abaixo para ajudar pessoas que surgem com perguntas muito básicas sobre astrofotografia. Ele é direcionado àqueles que querem começar na atividade, mas estão se sentindo meio (ou completamente) perdidos.


Minha primeira imagem de céu profundo com telescópio, feita com uma montagem CG-5GT, Orion Premium ED 102mm e Canon T2i. Um frame de 15 segundos de exposição.


Dicas para quem quer começar na Astrofotografia:

  • Não seja pão duro na hora de comprar o equipamento.

Astrofotografia não é um Hobby barato, embora não seja caro a ponto de ser algo para milionários. Qualquer um que já não dependa dos pais e tenha um emprego razoável pode entrar para essa atividade. Você pode até mesmo depender de seus pais se eles ganharem bem e gostarem muito de você. O valor que considero razoável para um bom setup de astrofotografia é algo em torno de sete a dez mil reais. Com essa grana você pode comprar uma montagem H-EQ5 ou NEQ-6, um pequeno refrator apocromático ou um bom refletor (Newtoniano ou Cassegrain) e sobra dinheiro para uma Câmera DSLR ou mesmo uma CCD dedicada (esta seria aconselhável comprar no Exterior, embora existam sites que a vendam no Brasil a preços aceitáveis, como o Tellescopio.com.br).

Até com uns três mil reais é possível comprar um setup aceitável, algo como um refletor de 150mm sobre uma Eq-3 motorizada e uma DSLR usada. Você vai conseguir fotografar muitos objetos com este setup, mas se tiver condições, aconselho esperar mais para montar seu setup e comprar algo melhor.

Se a grana está apertada e seu foco for mais em céu profundo eu lhe diria: Compre primeiro uma boa DSLR, de preferência com Live View (a capacidade de mostrar a imagem ao vivo no visor LCD) e faça muitas fotos de câmera fixa, startrails, composições, raios, nascer do Sol e da Lua, entre outros. Depois compre a montagem e faça fabulosas imagens de grande campo, inclusive de objetos que dificilmente cabem no campo de um telescópio, como Rho-Ophiuchi, América do Norte, Nebulosa do Cachimbo, entre outros. É possível comprar boas lentes antigas de 100mm a 200mm por até 500 reais no mercado livre, prefira as de distância focal fixa, sem zoom. Você vai ver que é possível se divertir por muito tempo com uma Lente de 135mm acompanhada de sua câmera e montagem. Quando estiver saturado de imagens com lente e com dinheiro sobrando, compre um tubo ótico de qualidade.

  • Pesquise muito antes de comprar o equipamento:

Se você já tem o dinheiro para seu equipamento, não saia por aí comprando o primeiro telescópio e câmera que aparecerem na sua frente, há muito a saber sobre equipamentos de astrofotografia e não dá pra explicar num único post. Não espere que as pessoas pesquisem e leiam por você, essa é uma tarefa que você terá que fazer se quiser realmente aprender.

Abaixo seguem três posts deste blog com dicas para compra de equipamento de astrofotografia


  • Pesquise mais ainda depois de comprar o equipamento

Agora que você comprou o equipamento chegou a hora de fotografar. Você provavelmente tem muito o que aprender, sobre alinhamento, fotografia, programas de captura e principalmente, sobre o céu, pois você precisa saber quais são os objetos mais importantes e onde eles estão, pois mais do que nunca você tem que estudar. É claro que uma montagem com Go-to ajuda a localizar o objeto, mas ela não diz quais são os objetos mais legais, se eles são muito ou pouco brilhantes, se são adequados para o campo e resolução do seu equipamento, entre outras coisas.

Aqui vão alguns lugares muito bons onde você pode pesquisar:


Forum do Cloudy Nights (procure a seção Astrophotography and Sketching)

Astrobin.com (muito bom para você ver o que estão fotografando com determinado equipamento)


Blog do Andolfato Isso mesmo, que tal começar a ler este blog desde o seu primeiro post:


Sim, há muito pouco material em Português. Eu também acho uma pena, mas felizmente existe algo chamado Google Tradutor, que em alguns casos ajuda muito.

  • Além de um bom telescópio, câmera, e montagem, tenha também um bom computador a mão.

É muito comum a gente apontar o setup Astrofotografico como uma trinca entre montagem, câmera e telescópio (ou lente), mas um bom computador é quase tão importante como os três elementos acima, é nele que as imagens serão capturadas, armazenadas e depois empilhadas e processadas. Você precisara de uma porta USB rápida para captura de vídeos planetários, de um bom processador e placa de vídeo para o empilhamento de muitos frames e o pós-processamento, então tenha consciência de incluir um bom notebook em seu orçamento, caso você não tenha um.

Eu, na verdade, não uso um notebook potente para captura, uso um netbook, mas isso é por que tenho um bom desktop com uma grande placa de vídeo para trabalhar no processamentodas  imagens depois, se não o netbook seria inviável. Ele é usado somente para captação.

Em relação a programas, seguem alguns que utilizo.

Canon Eos Utilyties - Para operação de sua Canon DSLR através do computador.

Deep Sky Stacker - Para empilhamento de frames em fotografias de céu profundo. O ajuste de contraste no próprio DSS também é o mais recomendado.

Registax - Para empilhamento de frames de vídeos de captação planetária, solar e da Lua.

Iris - Para processamento de imagens, também faz empilhamento de frames, mas eu não uso ele para isso. Hoje o que mais faço nele é corrigir o coma das imagens

- Windows Live Photo Galery - Sim, uso muito esse programa oferecido gratuitamente com o Windows, acho que ele aumenta o contraste das imagens agredindo menos do que o photoshop e tem uma ótima ferramenta que revela detalhes em imagens aparentemente estouradas (realces).

- Adobe PhotoShop - para ajustes na imagem final. Vale muito pelos plugins, como o Astronomy Tools.

PHD Guiding - Para autoguiagem, que falarei mais embaixo.

Fitswork - Para composições RGB e mosaicos.

- Artemis Capture (programa de captação da Atik)

EOS Movie Recorder (para fotografia planetária com uma DSLR Canon)

Startrail - o nome já diz para que eu uso, faz Startrails através de muitos frames captados por uma câmera num tripé.

Há outros programas que não usei e muitos outros astrofotógrafos usam, como o MaxinDL. É claro que eu ainda quero testar eles, mas ainda não tive tempo (ou mesmo vontade). Outra que faz muito sucesso atualmente é o Pixinsight, para processamento.

  • Se for fotografar céu profundo com DSLR, pense seriamente em modificar sua câmera.
Modificar uma câmera cara como uma DSLR, retirando o filtro que bloqueia a luz infra vermelha, é algo difícil de se pensar quando você acabou de comprar sua câmera e ela ainda está com carinha de nova, mas no futuro, quando você se tornar mais exigente com suas fotografias de céu profundo, verá que remover o filtro original da câmera é quase obrigatório, pois ele bloqueia 80% da luz vermelha das nebulosas de emissão. Algumas pessoas vão mais além e constroem sistemas de resfriamento para suas DSLRs. CCDs dedicadas a astronomia não precisam ser modificadas, pois não bloqueiam nenhum tipo de luz e a maioria já vem com resfriamento. 
  • Pratique muito, pratique o máximo que puder
Essa é a dica mais óbvia. Não espere tirar fotos espetaculares já na primeira noite. Mesmo os felizardos que podem comprar os melhores equipamentos sofrem muito nas primeiras sessões astrofotográficas. Isso acontece com qualquer um que está começando uma atividade nova. Você ficará impressionado em ver como tudo estará mais fácil dentro de alguns meses. Mas você dificilmente se transformará num astrofotógrafo de primeira se botar o telescópio para fora e fotografar umas duas vezes ao ano.

E a prática não envolve apenas a captação. Também pratique muito o processamento, quanto mais você usar os programas mais vai entender os comandos e como eles afetam a sua foto. É um grande desafio tirar mais detalhes de uma imagem sem causar ruído ou deixar a imagem com aspecto de desenho. Em geral astrofotógrafos novos tendem a exagerar no processamento, o que é totalmente aceitável, mas a imagem deles vai ficando cada vez mais refinada e elegante quanto mais vão entendendo os softwares de processamento. Em geral boas captações num céu adequado precisam de  pouco esforço de processamento, são as captações defeituosas ou em céus com muita poluição luminosa que exigem uma pós-processamento mais pesado.


Imagem captada durante o quinto EBA, com a mesma CG-5GT da foto anterior, e também o mesmo Orion Ed 102mm e a mesma Canon T2i, agora modificada. Ao setup foi adicionado somente Autoguiagem. Tempo total de exposição de uma hora.


  • Em céu profundo quanto maior o tempo de exposição total, melhor a imagem final.


Essa é uma regra básica da astrofotografia de céu profundo, quanto maior o tempo de exposição, melhor. Quanto mais longos forem seus Lights frames, menor será a sensibilidade (ISO) necessária e mais detalhes aparecerão na nebulosa. Quanto maior o número de frames, menor será o ruído e a imagem final poderá sofrer mais ajustes de contraste e cores. O uso de flat, dark, dark flats, e Offset/bias frames também é muito importante. Abaixo uma breve explicação sobre cada um deles:

- Light Frames - São as fotos do objeto fotografado propriamente ditas. Quanto maior o tempo de exposição total, melhor. Entenda que o tempo de exposição total de uma imagem é a soma do tempo de exposição de todos os light frames. Por isso quando falamos que uma imagem tem um tempo de exposição total de três horas, é improvável que este tempo de exposição seja de um único light frame. Normalmente é algo como 30 frames de seis minutos que foram empilhados. O astrofotógrafo costuma colocar esta informação em suas fotos quando as publica (ou pelo menos deveria).

Para os lightframes é importante também a leitura do post abaixo:

Conceitos básicos da captura em Astrofotografia: Tempo de exposição, ISO e razão focal.



- Dark Frames - São frames feitos com o mesmo tempo de exposição e sensibilidade (ISO) dos light frames, também devem ser captados sob a mesma temperatura, mas nos Dark frames a câmera deve estar completamente tampada para que seja capturado apenas o ruído criado pela câmera e também os chamados Hotpixels, pontos coloridos que surgem no sensor em fotos de maior exposição, principalmente em câmeras não refrigeradas. O ideal é que o número de dark frames seja o mesmo da captação total na imagem colorida, ou o mesmo da captação de cada cor (ou da cor que recebeu mais captação), na captação em RGB com câmera monocromática.

- Flat frames - Esses daqui são meio chatinhos, normalmente envolvem a captura de uma imagem totalmente uniforme, como uma folha em branco iluminada por uma lanterna ou um céu azul sem nenhuma nuvem, a utilidade dos flat frames e eliminar a vinhetagem provocada por luzes em volta da imagem (muito grave em locais com muita poluição luminosa) e também possíveis sujeiras no sensor da câmera. Eu tive ótimos resultados fazendo flat frames tirando a lente totalmente do foco e captando imagens com o mesmo tempo de exposição dos Light frames, apenas tomando o cuidado de desviar um pouco a lente caso houvesse alguma estrela muito brilhantes que não saísse totalmente do foco. Mas há muitas outras formas de se fazerem Flat flames, e não vou entrar em detalhes neste post.

Exemplo de um bom flat frame. Imagem de Petri Kehusmaa.


- Dark Flat frames - Com tempos de exposição e possivelmente temperaturas diferentes dos light frames, os Flat frames tem seus próprios hotpixels e ruído, que o programa de empilhamento poderá não encontrar e eliminar, para isso é importante fazer dark frames para os flat frames também, com o mesmo tempo de exposição e sensibilidade destes.

- OffSet/Bias - São imagens feitas com a câmera tampada e mesma sensibilidade dos Light frames, mas o tempo de exposição deve ser o menor possível da câmera.

Todos os frames acima deverão ser colocados no Deep Sky stacker ou outro programa semelhante, que fará o trabalho de empilhamento para você, eliminando o ruído, a vinhetagem e os hotpixels, se as captações estiverem com boa qualidade.


Para fotografia Lunar e Planetária, o que importa é a quantidade de frames da imagem, de preferência captadas com a menor sensibilidade possível. A captação deve ser feita respeitando-se um tempo limite para muitos planetas e o Sol, pois a rotação destes astros pode estragar a imagem final. No geral o ideal é que se consiga o máximo de frames em até 3 minutos. Quanto mais rápida a câmera, melhor, mas lembre-se que num telescópio de menor abertura, se estiver com a distância focal muito elevada devido ao uso de barlows e Powemates, a imagem pode ficar muito escura caso o tempo de exposição de frames seja muito curto, aí não adianta nada ter uma câmera rápida, pois você vai ter que aumentar o tempo de exposição. Se este tempo for, por exemplo, de um décimo de segundo, nenhuma câmera ira gravar acima de dez frames por segundo.


  • Para céu profundo você provavelmente vai sentir a necessidade de algo chamado de Autoguiagem.

Autoguiagem é nada mais do que uma segunda câmera, colocada sobre outro telescópio na mesma montagem ou mesmo anexa a câmera principal que terá como função filmar uma estrela. Um programa em seu computador ( um muito popular é o PHD Guiding), irá analisar o movimento dessa estrela em relação a sua montagem e ira corrigir quaisquer desvio, permitindo tempos de exposição bastante longos.

Autoguiagem é como modificar a câmera, é algo que você não vai pensar muito no começo, mas se continuar avançando neste hobby, se tornando cada vez mais exigente com suas imagens, não vai demorar a ver que é algo fundamental para astrofotografia)

É isso aí pessoal. Não acredito que todas as suas dúvidas tenham sido sanadas, mas espero que tenha sido uma resposta aceitável.

Um Grande abraço
Rodrigo Andolfato.

sábado, 20 de abril de 2013

M17 - Nebulosa do Cisne (ou ômega) - Um Hubble Palette de que gostei




Eis uma imagem de que gostei, ainda mais por que foi feita com um céu totalmente desfavorável. Trata-se da nebulosa M17, na constelação de Sagitário. É com certeza um dos meus melhores Hubble Palettes até agora, mesmo que a nebulosa seja um pouco pequena para o campo de visão do setup. A foto anterior, NGC 6188, tinha ficado legal, mas o tom monocromático em amarelo foi considerado por mim um fracasso em relação ao que se espera quando se quer produzir uma imagem colorida através de filtros de banda estreita, quando a intenção é justamente realçar o contraste de cores. 

Acredito que talvez o fato de em NGC 6188 eu ter usado frames de cinco minutos no filtro H-Alpha e frames de 3 minutos nos outros dois, pode ter sido o responsável pela falta de mais contraste. Isso aconteceu por que na hora de fazer imagens com o outros dois filtros, eu perdi o alinhamento, não conseguindo repetir frames de 5 minutos sem que as estrelas apresentassem arrasto. Essas coisas acontecem quando você captura frames em noites diferentes.

Na imagem de hoje todos os frames foram feitos com bons 200 segundos de exposição e a lente ficou aberta em F2.5. Eu até cheguei a testar ela em F3.5, o que teoricamente deixaria a imagem mais plana e o foco mais fácil. O foco até que ficou mais fácil, mas os sub frames continuaram mostrando estrelas gordas no canto e a imagem muito mais escura não me agradou. Acho que F2.5 daqui para frente será o meu padrão de captura.

O setup tem sido o básico das últimas fotos. A verdade é que a combinação Atik 314L mais lente fotográfica, devido a sua leveza, facilidade de uso e velocidade de captação, tem se tornado um setup viciante. Consegue bons resultados sem autoguiagem, funciona sem nem sequer haver contra-pesos na montagem, já que a colocação do contra peso de 5 quilos da CG-5 se tornou inviável com esse setup, e me permite conseguir imagens razoáveis com tempos de exposição curtos. Vai ser difícil na hora que eu voltar a fotografar com o telescópio.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

NGC 6188, Nebulosas da Lagoa e Trífida num bom sábado de astrofotografia

NGC 6188. A imagem ficou bonita, mas não ficou com a riqueza de cores esperada de uma foto em Hubble Palette.

Ultimamente o céu anda super instável aqui em Brasília. a maioria das noites tem sido nubladas, mas a qualquer momento você pode ser surpreendido por uma noite de céu limpo. A noite da sábado, quando eu estou descansado e não tenho que acordar cedo no dia seguinte, é disparada a melhor noite para astrofotografia. Por isso ter céu limpo justamente na noite de sábado, quando em todas as outras o céu esteve fechado, é para mim a maior sorte que pode acontecer. E foi isso que aconteceu no último fim de semana.

Tendo o céu aberto, a principal questão que passa pela minha cabeça é: Qual objeto fotografar. Isto ficou ainda mais importante agora que tenho uma câmera monocromática. A gente fica doido para tentar um objeto novo, de preferência que não tenha fotografado antes, mas também há várias imagens em que foram captados apenas frames em H-Alpha esperando por frames com os outros filtros para ficarem coloridas. Voltar para o mesmo objeto de semanas anteriores é mais chato, mas pode ser recompensador com uma bela imagem no final.

Bem, como o tempo ajudou no sábado, tentei fazer as duas coisas. Capturei os frames com os filtros de enxofre (SII) e Oxigênio (OIII) da Nebulosa NGC 6188 e aproveitei o resto da noite (antes da corrida de Fórmula 1, o único evento televisivo ao qual eu realmente dou importantância) para pegar alguns frames da Nebulosa da Lagoa e Trífida com o setup Atik 314L+Canon135mmF2.0.

Nebulosa da Lagoa e Trífida, mais uma imagem em que eu junto o Luminance capturado com a Atik com o RGB da Canon T2i, ambos capturados com lentes de 135mm.


Os resultados ficaram bons, não perfeitos, mas bons. Ainda tenho problemas com alinhamento dos frames devido ao coma apresentado pela lente quando mais aberta. No próximo fim de semana quero fazer uns testes com a lente em F4.0 para ver se ela realmente fica plana nessa distância focal com a Atik 314L.

Algo que marcou está noite foi saber que enquanto o céu estava totalmente aberto em Águas Glaras, a apenas vinte quilômetros dali, um amigo me informava que em Sobradinho o céu permanecia completamente fechado. Era até difícil acreditar nisso, mas a foto abaixo, tirada não deixa dúvida de que mesmo estando tão perto, o céu não estava nada bom em Sobradinho, mais engraçado ainda foi saber que ficou assim a noite inteira.

Enquanto no Águas Claras tínhamos um céu bastante razoável, do outro lado do Distrito Federal, em Sobradinho, as nuvens não davam chance.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Três livros indispensáveis para quem está começando na Astronomia

Após várias semanas sem possibilidade de fazer uma imagem de céu profundo, ou ao menos pegar mais frames das últimas imagens que fiz, achei que, ao invés de fazer um post reclamando das nuvens sobre Brasília, seria mais produtivo fazer um post de interesse geral para aqueles que estão começando na Astronomia. Eu raramente falo de Astronomia em si porque não acho que tenho domínio suficiente sobre um assunto tão complexo (embora tão apaixonante) e prefiro ficar onde é mais a minha especialidade, a Astrofotografia. Mas estou sempre lendo sobre o assunto por puro prazer. Por isso, hoje quero falar de três livros que nunca param na estante lá em casa.


Guia Ilustrado Zahar de Astronomia - Ian Ridpath - É provavelmente o livro mais comprado por quem está iniciando em Astronomia. O ponto forte são as ilustrações. O livro é ricamente ilustrado com imagens bonitas, coloridas e em grande resolução. A maioria das explicações são bem resumidas (às vezes até um pouco demais), mas a leitura é agradável e nos instiga a procurar saber mais sobre os assuntos tratados. O ponto forte, e diferencial em relação aos outros livros e a grande seção que mostra todas as constelações e os objetos mais interessantes para se ver em cada uma delas, destacando igualmente constelações do norte e do sul. Esta seção também aumenta muito a longevidade da obra.



O Livro de Ouro do Universo - Ronaldo Rogério de Freitas Mourão -  É mais profundo do que o livro anterior e menos do que o próximo. É com certeza o mais lúdico dos três, dando muito destaque para fatos históricos da astronomia e mesmo folclore e obras artísticas derivadas da Astronomia, sendo o seu diferencial. O ponto fraco são as ilustrações em baixa resolução e monocromáticas. Apesar disso, pelo texto corrido e agradável, que em muitas vezes atiça a imaginação, é no momento o livro de astronomia que mais leio.



Descobrindo o Universo - Neil F. Comins e Willian J. kaufmann III - Disparado o mais denso e de maior conteúdo entre os três e fazendo valer seu preço de mais de 150 reais (pelo menos para os padrões abusivos brasileiros), esse livro é usado em matérias de introdução à Astronomia em Faculdades de Astronomia. Apesar de ser um livro didático, pelo menos noventa por cento dele pode ser lido descontraidamente, pois a linguagem é totalmente acessível a qualquer um que tenha terminado o ensino médio de forma digna. O único capitulo que não consegui absorver foi sobre Spectografia, mas não foi culpa do livro.

Eu diria a um iniciante para que, se possível, lesse os três livros na ondem em que foram apresentados no post, pois eles vão ficando gradativamente cada vez mais complexos. Mas na verdade você sempre vai estar querendo ler os três, dependendo do tempo e ânimo em que esteja. Após cansar destes três livros, acho que já dá pra pensar em obras de temas mais específicos em Astronomia.

Ah, é claro, eu estava me esquecendo de Cosmos, de Carl Sagan. Certamente um dos melhores livros para se começar na Astronomia. Eu não tenho ele. Li faz uns dez anos um exemplar da biblioteca da universidade onde me formei. Foi um livro fantástico e imagino que não tenha ficado desatualizado, até por que a mente da Carl Sagan viajava longe. Se você conseguir encontrar um exemplar desta obra, aconselho a leitura imediata. ao contrário dos outros três, Cosmos é melhor lido como um romance, do começo ao fim.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Lua nascendo atrás dos prédios do Guará


Tirar fotos do nascer da Lua é algo bem legal, principalmente quando acompanhado de um cenário bonito, podendo ser ainda mais legal diante de um cenário bonito e também famoso.

Bem, o paredão de prédios que se formou recentemente no Guará 2, em Brasília, fruto da especulação imobiliária insana que ocorre nesta cidade, não é famoso, mas as linhas retas até que fazem um contraponto legal com a Lua ao fundo. Por isso, quando vi que a Lua estava nascendo atrás destes prédios achei que seria uma boa tentar umas imagens.

Fotografar a lua nascendo não é tão fácil como parece. Envolve algumas variáveis. No geral, as imagens devem ser single frames, já que a Lua está movimentando-se em relação ao cenário. A atmosfera tem que estar muito boa, transparente e sem nuvens, se não vai ser difícil conseguir visualizar detalhes da Lua, pois como ela está no horizonte, há muito mais atmosfera entre nos e a Lua do que quando ela está alta no céu.

Há uma contraposição interessante. Quanto mais baixo a Lua estiver, mas distorcida ela estará, mas também signíficará que ela não estará tão brilhante, o que permitira iluminar melhor o cenário sem estourar a Lua. Caso a Lua esteja mais alta, nosso satélite aparecerá muito bem definido, mas brilhara muito e o ideal será utilizar técnicas de HDR para equilibrar a sua luz com a do cenário.

Outra coisa legal que tentei fazer ontem, foi tentar fotografar um avião passando na frente da Lua. Como em relação a meu apartamento ela estava nasce exatamente atrás do aeroporto, imagino que, com um pouco de paciência, eu não demore a conseguir uma foto assim. Ontem foi quase. Um avião até passou na frente da Lua, mas infelizmente da parte escura.

As fotos deste post foram todas feitas com a Canon T2i e a Lente 135mm F2.0. Nem sequer um tripé foi usado, as imagens foram feitas com a câmera sobre o muro da varanda. Eu tenho muita vontade de tentar fotos assim com o telescópio, mas estava gripado demais para pensar em montar o telescópio. Na verdade eu não devia nem estar na varanda durante a noite.

Foi quase!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Fim de semana em preto-e-branco, mas com qualidade!

NGC 6188, bela nebulosa próximo ao asterismo da constelação de Escorpião. Reparem na supernova na parte inferior esquerda da foto.

É com muita alegria que digo que este último fim de semana não passou em branco em astrofotografia, passou em preto e branco, com boas fotos em H-Alpha. Na noite de Sábado para Domingo algumas nuvens chegaram a querer incomodar, mas deu pra brincar bastante com a Atik 314L+, a Canon 135mm F2.0 e o filtro H-Alpha 7.5nm.

Primeiro, vamos falar dos problemas: a Atik estava esquisita, não estava estabilizando a temperatura, embora raramente passasse de um grau acima da temperatura programada. Eu até coloquei o vidro de vedação de volta, mas não adiantou. Desconfiei da qualidade da alimentação elétrica do meu apartamento e conectei ela no Powertank (uma bateria feita para telescópios), mas não fez diferença. Também quando eu fazia frames curtos notei um ruído estranho, que desaparecia em frames mais longos. Esses problemas não pareceram afetar a imagem final, mas é bom eu ficar de olho.

Em relação a lente, estou alegre de ver que os halos, que tanto me atormentaram nos primeiros dias, praticamente desapareceram, mas noto que mesmo em F/2.5, ela apresenta coma, algo que, no nível em que pretendo fotografar, não é aceitável, por isso acho que terei que fechar ainda mais a lente. Espero que eu não tenha que passar de algo como F/3.0, se não vai ficar complicado, pois a captação vai ficar muito lenta acima disso. Só pra vocês terem ideia F/3.0 é 125% mais lento que F/2.0 e 44% mais lento do que os F/2.5 que usei nas imagens de hoje.

Bem mais brilhante, não foi preciso mais do que dois minutos para tirar muitos detalhes de Eta Carinae
A boa notícia é que estou conseguindo fazer frames de até 5 cinco minutos com o setup sobre a CG-5GT e acho que ainda posso conseguir mais. Algo em torno de 6 a 10 minutos. Com um tempo de exposição assim, fotografar com a lente em F/3.0 seria totalmente aceitável.

Os Alvos da noite foram duas grandes Nebulosas, cujo tamanho aparente se mostrou no limite do campo de  enquadramento da Atik 314L em 135mm, que não é pequeno. A primeira, fotografada entre as oito e nove da noite de sábado, foi a Nebulosa de Carina (que eu costumo chamar de Eta Carinae, o que não é a mesma coisa, rss). Essa Nebulosa é muito brilhante, por isso eu não precisei de mais do que dois minutos de exposição em cada um dos 27 frames.

Fiz questão de enquadrar a nebulosa Gabriela Mistral na imagem. Trata-se da nebulosa que você vê abaixo, na parte superior direita, repare que parece com o perfil desta senhora, agraciada com o Nobel de Literatura de 1945. A dica da nebulosa foi do Astrofotógrafo Gerson Pinto, que publicou uma foto da mesma nebulosa.

Nebulosa Gabriela Mistral, na verdade um pedaço meio desgarrado da Nebulosa de Carina, cuja forma parece o rosto desta escritora visto de perfil

Mas, apesar de não estar perfeita por causa do coma, não há dúvidas de que a grande imagem do fim de semana é a que aparece no topo deste post, da Nebulosa NGC 6188, na constelação de Ara, primeiro por que eu devo ser um dos primeiros a fotografá-la no Brasil e segundo que, com duas horas de exposição, tirar um foto destas de um apartamento no meio de Brasília e uma alegria enorme, mostrando que, com um bom filtro H-alpha, não há limites para o que posso fotografar, em termos de nebulosas, da varanda do meu apartamento. Vale lembrar que, para conseguir a imagem colorida, será necessário mais 4 horas de exposição, totalizando 6 horas. Eu vou ter que ter muita paciência para terminar esta foto e as outras duas últimas da qual captei o H-Alpha (Carina e aquela com a Pata do Gato e Lagosta).

É isso aí pessoal, até os próximos posts!

domingo, 10 de março de 2013

Nebulosas Pata do Gato e Lagosta, finalmente sem os enormes halos

NGCs 6334 e 6357. O filtro H-alpha realmente ignora a poluição luminosa de Brasília.

Após três semanas de muitas chuvas aqui em Brasília, finalmente o tempo resolveu me dar uma colher de chá, embora nem de longe tenha sido o ideal. Na madrugada de sexta para sábado, depois das duas da manhã, o céu abriu um pouco e eu pude tentar mais uma imagem com a Canon 135mm F2.0, com o objetivo principal de fazer desaparecer os halos nas estrelas, tão marcantes nas últimas fotos e que quase me fizeram desistir dessa lente.

Para diminuir os halos, dois procedimentos foram feitos, primeiro e, provavelmente mais importante, eu mudei a posição do filtro H-Alpha usado para fazer a imagem. Antes este filtro estava quase dois centímetros a frente do sensor. Se pensarmos que o diâmetro da objetiva é a metade da distância focal, fica fácil imaginar que se tivéssemos um telescópio com 1350mm de distância focal e 720 de abertura (imaginem como seria grosso o tubo deste telescópio), teríamos um filtro 20 centímetros a frente do sensor da câmera.

Para resolver a situação tive que colocar o filtro não acoplado a frente do adaptador da Geoptiks, como estava antes, mas o mais perto possível do sensor da Atik 314L+. Eu tirei o vidro que fica a frente do sensor da Atik, que serve para vedar o sensor e manter a temperatura, e troquei pelo próprio filtro que, agora, além de fazer a função de filtro, também faz a vedação do sensor. Diga-se de passagem a vedação ficou muito boa e o sensor ficou estabilizado em 2 graus centígrados sem problemas.

Dessa vez também fechei um pouco o diafragma da Canon 135mm F2.0 Fechei apenas dois pontos que mudaram a relação abertura/distância focal para F2.5. Eu não sou fã de fechar o diafragma. Melhora um pouco a imagem final, mas também aumenta o tempo de exposição. No caso a mudança de F2.0 para F2.5 incorre na necessidade de um tempo 56% maior para se conseguir o mesmo resultado. Isso deixou a Canon F2.0 com a mesma velocidade da Takumar F2.5 que vendi recentemente e ainda deu às estrelas mais brilhantes um aspecto de mamona, devido a luz que vaza pelo diafragma. Apesar destes problemas, a maior relação abertura/distância focal também significa maior profundidade de campo, o que resulta num foco razoavelmente mais fácil do que em F2.0.

Eu queria ter aproveitado o sábado para ter capturado frames com os filtros OIII e SII, mas infelizmente o tempo não colaborou. O céu estava mais para nublado do que embaçado e vou ter que esperar a próxima semana para tentar uma imagem colorida.

Abaixo, deixo uma comparação interessante. Ambas as imagem foram feitas por lentes de 135mm e em F2.5. A primeira com a Canon F2.0 e a segunda com uma Nikkor F2.5. A grande diferença é que enquanto a primeira foi feita com uma CCD Monocromática e um Filtro H-Alpha de 7,5nm a segunda foi feita com uma Canon T2i modificada. Nessa imagem podemos ver como o novo setup é eficiente. E a primeira foto foi feita com condições terríveis de poluição luminosa e nebulosidade no ar (mal estava dando para ver a constelação de escorpião).


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Eta Carinae e Orion com um ED 80mm e uma Canon Rebel XS da varanda do apartamento

Eta Carinae foi processada um pouco além da conta, mas o resultado, para o foto urbana, ficou bem interessante.

Esses dias o Fabrício Siqueira, astrofotógrafo brasileiro bastante conhecido no meio, veio aqui em casa com um ED de 80mm da Orion. O Fabrício, que antes tinha um refletor de 150mm da Sky-Watcher sobre uma Eq-3 motorizada está renovando o seu setup e começou pelo telescópio, aproveitando uma boa promoção no Armazém do Telescopio. Ele ainda não tem uma montagem para o aparelho e por isso trouxe o refrator aqui pra casa para testarmos a sua qualidade ótica sobre a minha montagem CG-5GT.

A câmera usada também foi do Fabrício, uma Canon Rebel XS 1000D não modificada. Assim, minha participação esteve em controlar a montagem, principalmente no alinhamento. Achei uma pena que sem auto-guiagem tenhamos conseguido apenas 40 segundos de exposição com o telescópio do Fabrício, sendo que na lente 135mm no dia anterior eu estava conseguindo até três minutos de exposição com a montagem na mesma posição. Talvez isso mostre como o alinhamento é mais fácil com lentes.

Eu disse várias vezes ao Fabrício que, se fosse hoje, teria comprado este refrator de 80mm e não o meu atual de 102mm. Sendo muito mais leve que o meu telescópio atual o ED de 80mm parece estar muito mais de acordo com a capacidade da CG-5GT para fotografia em alta exposição do que o meu refrator de 102mm, que com duas câmeras e um segundo telescópio para autoguiagem parece levar a montagem ao seu limite para um acompanhamento com qualidade. Vale dizer que hoje o Orion Premium ED 102mm não está mais no mercado. Me pergunto se um problema crônico apresentado no focalizador não teria sido um dos responsáveis por isso. Quando eu rodo as engrenagens do focalizador, preciso ajudar um pouco com a outra mão puxando ou empurrando o barril.

Devido a poluição luminosa  sobre o meu apartamento, optamos por alvos mais simples de serem encontrados, e também mais brilhantes: Eta Carinae e M42. A segunda nebulosa estava demasiadamente perto da Lua com metade do disco iluminado, por isso está foto acabou sendo mais prejudicada. Eu também não pude usar dark frames para calibrar as fotos, pois o Fabrício teve que ir embora antes que pudesse fazê-los aqui em casa. Sem acesso a estes darks e como a minha câmera DSLR é diferente da Rebel XS, eu acabei empilhando as imagens sem esses darks mesmo, mas usei alguns flats feitos pelo Fabrício, que ficaram muito bons, diga-se de passagem. Quase não vi vinhetagem nas imagens.