quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Complexo Nebular - Rho Ophiuchi


Imagem registrada com Câmera DSLR Canon T2i modificada e Lente de 135mm F2 durante o Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia.


A Região de Rho Ophiuchi é uma das mais belas de nossa galáxia. Ali é possível encontrar quase de tudo, aglomerados globulares, estrelas múltiplas, nebulosas escuras, de reflexão e também de emissão. É um dos lugares do céu que mais atraem astrofotógrafos, sejam iniciantes ou experientes.

Localizada bem no "coração" da Constelação de Escorpião, visível principalmente no inverno brasileiro, Rho Ophiuchi tem alguns alvos interessantes para serem registrados com telescópio. O mais destacado é o aglomerado globular M4. Mas é a fotografia com lentes que mostra toda o beleza da região e a forma como as Nebulosas interagem umas com as outras. Um registro com lente de 50mm, como o do fim deste post mostra ainda como a região interage com a própria Via Láctea. As nuvens de poeira fazem uma ponte entre a nossa Galáxia e o Complexo. Seria Rho Ophiuchi uma galáxia menor que está sendo absorvida pela nossa? Eu não sou especialista nesta área e não consegui achar nada na internet sobre isso, então não sei a resposta. Esteja livre para responder nos comentários.

Quando fazemos o primeiro frame da região, o que aparece pode desanimar um pouco o astrofotógrafo iniciante, dando a impressão que não conseguiremos captar todos os detalhes do complexo. É preciso fazer muitos frames e depois mandar ver no processamento, no realce das cores e no contraste, por isso há uma grande variedade na qualidade das imagens que são encontradas na internet, mesmo quando registradas com o mesmo equipamento, pois aqui a mão do astrofotógrafo influi muito no resultado final.

Imagem de um único frame sem qualquer tratamento. O que aparece não é bem o que esperamos quando começamos a registrar. O trabalho de processamento é longo até a região ficar como estamos acostumados a ver em fotos na internet.

Uma câmera modificada não é obrigatória para o registro de Rho Ophiuchi, já que as nebulosas de emissão, que necessitam desta modificação, não são a única coisa interessante para se registrar. Sempre exigido é que a câmera seja boa, no mínimo uma DSLR. O céu também tem que ser bem escuro, sem poluição luminosa. Quanto mais escuro melhor, senão o trabalho para tirar a luz parasita vai deixar suas "cicatrizes" na imagem. Como em qualquer astrofoto de céu profundo, quanto mais tempo de exposição menos ruído e mais você poderá realçar o contraste. Recomendo no mínimo uma hora e meia de exposição total, com frames de 2 a 3 minutos no mínimo (em ISO 800 ou 1600). Com frames de 5 minutos a situação melhora ainda mais, mas preste atenção se não está estourando nada. Não é uma região ideal para fotografia com banda estreita, devido as nebulosas de emissão serem muito pálidas em relação ao resto do complexo. Talvez com maiores aumentos valha a pena explorar a nebulosidade em volta da região de Al Nyiat, que é interessante e bem pouco explorada.

Aqui foi utilizada uma lente de 50mm, com a mesma câmera. É possível ver as nuvens de poeira agarradas pela Via Láctea.

Esta imagem feita com telescópio refletor de 200mm Orion UK VX8 e CCD monocromática Atik 314L+, mostra interessantes formações de Hidrogênio Alpha em torno da estrela Al Niyat


Um comentário:

Eu tenho me esforçado para responder todos os comentários, mas posso demorar um pouco, ou mesmo esquecer algum. Por isso, peço paciência e não fiquem constrangidos de me darem um toque, caso eu esteja demorando demais.
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