terça-feira, 25 de abril de 2017

Finalmente a venda: Astrofotografia Prática - O Guia da Fotografia do Universo.


Foram quase três anos de trabalho. Muitas e muitas noites em que deixei de astrofotografar, ver filmes ou mesmo ficar com minha família por causa desse projeto. Mas finalmente a jornada está chegando ao fim. Já está a venda a versão impressa do Astrofotografia Prática - O Guia da Fotografia do Universo, o primeiro guia sobre Astrofotografia feito por um brasileiro, o primeiro em língua portuguesa na era digital.

São 220 páginas em formato A4, com cerca de 160 ilustração coloridas. O livro pode ser adquirido em 3 acabamentos diferentes, brochura, capa dura ou espiral, sendo o último mais recomendado para quem pretende realmente grudar no livro e levar para todo lugar. Eu, é claro, devo imprimir uma versão em capa dura para mim.

Você pode adquirir a versão impressa do Astrofotografia Prática no link abaixo:

O Ebook levará mais umas duas semanas para ficar pronto, pois terá uma diagramação diferente, em formato A5 e com somente uma coluna. Neste formato, o livro terá 460 páginas. Uma prova de como o conteúdo é extenso. Será uma diagramação otimizada para a leitura em tablets e até mesmo em celulares. 

Agradeço a todos que me apoiaram neste projeto!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Abril de 2017: mês decisivo para a publicação do livro

Exemplar impresso do livro Astrofotografia Prática, que estou revisando.

Entramos finalmente no mês de abril, que conforme o banner aqui do lado é a data de publicação do esperado livro de Astrofotografia que passei os últimos três anos desenvolvendo. Acredito que até o fim deste mês eu finalmente publicarei a obra. Eu até tinha uns dois ou três posts que queria desenvolver melhor para este blog este mês, mas o desafio de uma última revisão, para entregar o melhor livro possível, tem consumido todo o meu tempo disponível.

Bem! Vamos falar um pouco sobre o livro e tirar as últimas dúvidas. Ele será publicado pela plataforma AGbook/Clube de Autores. Pra quem não conhece, trata-se de uma plataforma de autopublicação. Nestes sites, pode-se encontrar de tudo, de livros de ciência esmerados a obras picaretas de esoterismo. Mas devo dizer que já adquiri uma cópia teste do livro com eles e a qualidade da impressão é muito boa.

Durante o tempo em que estive escrevendo o Astrofotografia Prática, certamente o maior problema que enfrentei foi o custo de impressão. Por se tratar de uma obra de nicho, de tiragem pequena, sempre existiu o fantasma de que o livro poderia ficar caro demais para imprimir. Certamente seria bem mais barato se fosse impresso numa grande tiragem, com o apoio de uma grande editora, mas como no momento eu estou meio que publicando por conta, a melhor solução de longe é o sistema da AGbook/Clube de Autores. Nestes sites, cada vez que alguém compra um livro, ele é impresso e enviado para o comprador.  Quanto maior o livro, mas cara é a impressão. Ser colorido também encarece a produção. Na verdade, é de longe o fator que mais encarece a impressão, mas não consigo imaginar meu livro em preto e branco. Como falaria de balanço de cores, saturação, composições e Hubble Palette em preto e branco?
Para tornar a obra mais barata, fiz o layout com o texto em duas colunas, o que reduziu o volume do livro de quase 300 para 230 páginas, sem qualquer redução do conteúdo ou do conforto da leitura e até dando um aspecto mais bonito à diagramação. Vale lembrar que é um livro grande, impresso em A4. Se estivesse impresso em A5, com uma coluna e fonte 12, teria umas quinhentas páginas. Para quem não quer pagar mais caro e nem carregar peso, será publicado um E-book. O Ebook é legal, mas tenho que dizer: a versão impressa ficou tão bonita que acho que vale a pena, sem contar que a leitura foi planejada para ser feita num livro impresso. Não sei como a leitura vai ficar num Ebook. 

O livro Astrofotografia prática custará 150 reais na versão impressa e pouco menos de 40 na versão Ebook, que ainda não decidi se será epub ou PDF. 176 Imagens ilustram a obra, que engloba os três grandes campos da Astrofotografia, aquisição de equipamentos, captura (ou captação) e processamento de imagens. Há um extenso glossário no final, com todos os termos técnicos mais relevantes e será disponibilizado um link onde os leitores poderão trabalhar com os arquivos utilizados nos tutoriais e fazer o download dos softwares e plug-ins gratuitos mencionados. O prefácio foi escrito pela lenda da astrofotografia brasileira, José Carlos Diniz. E as primeiras vinte páginas serão disponibilizadas para leitura nos sites de publicação, para quem quiser examinar a escrita antes de adquirir a obra.

Algo que me deixou um pouco triste é que muitas pessoas estão me pedindo um cópia autografada, mas o problema é que, como o livro será impresso e enviado sem passar por mim, não teremos esta possibilidade no momento da venda, mas eu me comprometo a assinar qualquer exemplar, com dedicatória, de qualquer um que puder se encontrar comigo.

É isso aí pessoal. Eu estou numa baita ansiedade aqui e não vejo a hora de ver esse livro publicado. Será que vão gostar? Vão criticar muito? Encontrar erros? Nem gosto quando as pessoas me lembram como foi longo o tempo em que estive escrevendo a obra, mas apesar de todas as dificuldades, do pouco tempo disponível e da dimensão do projeto, sempre segui em frente. E parece que finalmente estou chegando lá.

Obrigado a todos que estiveram me apoiando neste período.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A Libração Lunar: A face de nosso satélite não é tão parada como parece.

A Cratera Humboldt, registrada em dois momentos diferentes, mostrando como a Libração Lunar causa mudanças nos aspectos das formações Lunares vistas da Terra. Imagem feita com telescópio refletor de 200mm F4.5, extensor focal 5x e câmera Expanse Monocromática.



Talvez uma das coisas que mais chateie quem quer observar ou fotografar a Lua é o fato de que ela está sempre com a mesma face virada para a Terra. Ao contrário dos planetas, que apresentam rotação visível, principalmente Júpiter e Marte, a Lua está sempre com o mesmo lado virado para nós. Isso faz com que o outro lado permaneça oculto para observadores da Terra. As primeiras imagens do lado da Lua oposto à Terra, chamado de Lado Oculto da Lua, só foram feitas quando a sonda soviética Luna 3 sobrevoou nosso satélite natural, em 1959.

Então, como está presa a Terra, com a mesma face sempre voltada para nós, as formações lunares nunca se alteram? Não é bem assim. Na verdade a Lua não chega a estar totalmente presa à Terra. A Face virada para nós não é totalmente estática. Nosso satélite faz um bamboleio, que nos permite ver um pouco do que está na face oculta. Os efeitos deste movimento são percebidos principalmente em objetos próximos à borda do círculo lunar, chamado de limbo. Crateras mudam de forma, montanhas aparecem e desaparecem, proporcionando um espetáculo para astrônomos e astrofotógrafos mais atentos.

Curiosamente, os efeitos causados pela libração lunar são mais visíveis durante a Lua Cheia, período que a maioria não considera propício para fotografia lunar, já que não temos o contraste causado pela diferença entre o lado iluminado pelo Sol e o lado escuro da Lua. Mas na Lua cheia, se observarmos as bordas da Lua, vamos encontrar as crateras próximas ao limbo apresentando grande contraste, tornando-se um período propício para registros como o que vemos no alto deste post.

Esta gif, retirada da Wikipedia mostra como a Libração altera a posição da face iluminada da Lua em relação a Terra durante o período de um mês.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Eclipse solar parcial em Brasília. Eu não passei em branco!

Eclipse parcial do Sol, em 26 de fevereiro de 2017, registrado com câmera Canon T2i e Lente Canon 200mm F2.8 L II USM.

Foi difícil. Parecia que ia ficar só na vontade. Mas nos últimos instantes, quando a lua já ia se retirando da frente do disco solar, percebi a claridade entrando pela janela do meu apartamento e corri para a varanda.

Eu acordei mais ou menos nove e meia da manhã. Estava até considerando a possibilidade de montar o telescópio na varanda do apartamento, mas de cara percebo que está um pouco escuro. Vou até a varanda e um leve chuvisco caia sobre Brasília. O céu estava completamente tampado. Deu até vontade de voltar pra cama, mas como eu tinha dormido razoavelmente cedo na noite anterior (para os meus padrões), já estava sem sono.

Quando já tinha até colocado o almoço pra esquentar, percebo que, do lado de fora do apartamento, estava mais claro. O céu ainda estava muito tampado, mas raios de Sol estavam atingindo o vidro das janelas. Corro para a varanda e tento fotografar o eclipse.

De cara, a primeira dificuldade, o Sol estava exatamente no zênite e o tripé de máquina fotográfica não conseguia apontar exatamente pra cima. Não dava tempo de pegar a montagem do telescópio. Bem, o Sol brilha muito, então daria para fotografar com a câmera na mão mesmo. É o que fiz. Só que a claridade do Sol é tão forte que não dava pra ver o que o LCD da câmera mostrava. Eu tinha que fotografar olhando o visor da câmera.

Foram cerca de vinte tentativas, num espaço de cinco minutos. Algumas imagens ficaram fora de foco, outras escuras ou claras demais, mas na insistência consegui um registro muito bom para uma lente de 200mm, que vocês veem no alto do post.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Nebulosa da Roseta em três visões


Como eu já disse um milhão de vezes, esta época do ano é sempre complicada para astrofotografia, devido às chuvas. Mas às vezes o céu abre, ou pelo menos finge que abre, e mesmo com nuvens ralas sobre meu apartamento, em Brasília, ou na chácara onde meus pais moram, em Uberlândia, consigo fazer algumas imagens interessantes.

Quem me acompanha há mais tempo, sabe que eu adoro combinar imagens de câmeras diferentes, principalmente cores com luminance. Faço isso desde que descobri o Software Fitswork e seus inúmeros recursos. 

Em dezembro fiz uma interessante captura da Nebulosa da Roseta, quando estive na chácara para as festas de fim de ano. Foram 64 frames de 40 segundos de exposição. O tempo limitado por frame foi devido a eu estar usando o Ioptron Skytracker e ter esquecido de levar a buscadora polar. Se tivesse levado, talvez conseguisse pelo menos um minuto por frame, com a lente Canon Ef 200mm F/2.8l Ii Usm, usada na captura. A câmera foi a boa Canon T2i modificada, velha de guerra.


Nebulosa da Roseta, capturada no último dia de 2016, na chácara onde moram meus pais. com lente de 200mm Canon USMII EF 2.8, Canon T2i e montagem Ioptron Skytracker.

Ao voltar pra Brasília, tive a chance de, da varanda de meu apartamento, capturar 28 frames de 5 minutos com o filtro H-alpha, na câmera Atik 314L+. Para isso, usei a mesma lente de 200mm e a montagem HEQ5 da Sky-Watcher, que me permitiram frames mais longos. O resultado desta combinação você vê abaixo. Repare que o campo está limitado pelo sensor da Atik, bem menor do que o da Canon. Nesta imagem, o H-alpha faz o papel de Luminance e a captura da Canon dá somente as cores ao registro.


Nebulosa da Roseta, com adição de H-alpha capturado com a Atik 314L+ e a mesma lente de 200mm.



Mas eu também tinha um registro em Hubble Palette de 2015, feito com a já vendida lente 200mm FD. Esse registro, em alguns aspectos é até superior ao atual, onde eu errei no foco do H-alpha, mas naquela captura eu não fiz flat frames, o que prejudicou o resultado final, principalmente o céu de fundo, que ficou repleto de manchas, me forçando a escurecer demais o fundo. Nesta nova captura, o fundo está muito mais uniforme. Neste caso, a imagem de 2015 serviu não apenas para dar cores, mas também para melhorar a definição do núcleo da Nebulosa, com o recurso de Mosaico do Fitswork.




As chuvas devem continuar em Brasília e deve demorar um pouco para pararem, mas eu nem estou com pressa. Com a represa que alimenta meu bairro secando, prefiro ficam uns tempos sem fotografar do que ficar sem água, ou que pelo menos chova muito no meio de semana e o céu abra sábado à noite, o melhor dia para fotografar, quando não preciso dormir e nem acordar cedo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Grandes Expectativas para 2017

2017 está começando. Como sempre, nesta época do ano, as chuvas dominam a paisagem. Eu também não ando tão ativo como gostaria. Perto dos quarenta anos de idade, com uma filha para dar atenção, um complexo livro para terminar, e o emprego que me sustenta exigindo cada vez mais, muitas vezes não encontro tempo ou energia que gostaria para astrofotografar. Apesar disso, este ano é de grandes expectativas para mim no ramo da astrofotografia. São muitos os projetos que tenho em mente.

Veja abaixo, o que espero para o ano de 2017.

1 - Finalmente publicar o livro de Astrofotografia: para alguns pode até parecer que este projeto esfriou, mas a boa notícia é que isso nunca aconteceu. O que realmente acontece é que o processo de revisão foi muito mais denso e difícil do que eu esperava. Após finalizar a primeira versão do livro, encontrei uma série de problemas de coerência, erros de digitação e trechos que não ficaram bem escritos. Além disso, muitas vezes, quando se corrige um erro, aparecem outros, principalmente de digitação. O livro foi revisado três vezes, mas agora finalmente estou com uma cópia impressa, corrigindo erros bastante pontuais e vejo que todo o trabalho está começando a valer a pena. Percebo que ler o texto que escrevi é uma tarefa agradável, o que me deixa feliz. Tenho praticamente certeza de que, este ano, finalmente publicarei o livro.

2 - Ver o eclipse solar total nos Estados Unidos: depois do livro, este é o projeto que mais me empolga. Finalmente vou ter a oportunidade de ver um eclipse solar total, ver o céu ficar escuro no meio do dia, ver a coroa solar. Isso será em agosto e estarei acompanhando o pessoal do CASB no dia do evento. Acredito que vai ser uma experiência incrível, mas também tensa. Eu não tenho nenhuma experiência em fotografar eclipses solares e terei pouco mais de dois minutos para fazer imagens. Por isso preciso estudar e me preparar muito até lá.

Chamado de "The Great American Eclipse", o eclipse solar de agosto de 2017 vai cruzar o território dos Estados Unidos da Costa Oeste à Leste.


3 - Fazer muitas fotos planetária: A fotografia planetária tornou-se muito mais interessante para mim depois que adquiri um refletor de 8 polegadas e uma câmera Expanse Mono. Dizem por aí que estas câmeras  Expanse têm apresentado problemas, simplesmente parando de funcionar. Bem, enquanto a minha estiver funcionando, quero tirar o máximo dela e se ela parar, com certeza vou adquirir outra. Fotografia planetária, principalmente de Júpiter, é apaixonante demais para parar.

Filtro Baader UV-IR Cut. Ano passado, usei um similar, emprestado por um amigo, que rendeu ótimas imagens.


Recentemente, um amigo trouxe para mim um filtro IR-UV Cut da Baader comprado em um site na Inglaterra. Vale dizer, custou 230 reais lá, que não é considerado um país barato, enquanto o mesmo filtro está sendo vendido por 850 reais no Mercado Livre, aqui no Brasil. Esse é o custo de viver em nosso país.

Com este filtro IR-UV, espero fazer imagens bastante interessantes de Júpiter, mesmo com um telescópio razoavelmente pequeno para este tipo de fotografia, onde os grandes papas usam telescópios de 12 a 16 polegadas.

4 - Tirar o máximo da minha lente de 200mm: A minha maior (e melhor) aquisição astrofotográfica ano passado foi a lente de 200mm F2.8 da Canon, considerada por muitos como uma joia da astrofotografia. Mas sinto que não tirei todo o potencial desta lente. Acredito que o maior problema é que a estou usando com o Ioptron Skytracker, que, se quebra o galho quando comparado a uma EQ1 ou EQ2, está longe de se comparar à HEQ5 com Go-To. Nos próximos encontros do CASB, pretendo usar a lente na HEQ5 e conseguir tempos de exposição maiores, tirando o máximo que esta lente pode me dar.

Imagem das Nebulosas Barnard 33 e M42, feita na chácara, com a lente de 200mm. Foram 133 frames de apenas 40 segundos de exposição, no Ioptron Skytracker. Imagino se fosse frames de 5 minutos. Veja a imagem em tamanho grande.


5 - Adquirir um novo Notebook: um outro objetivo nos Estados Unidos é adquirir um notebook melhor. Ano passado, resolvi me desfazer do Desktop que possuía. O aparelho, que tinha 4 anos, começou a apresentar alguns problemas, ocupava espaço demais e exigia manutenção constante. Decidi que já estava na hora de abandonar este tipo de equipamento. Infelizmente, isto causou impacto na minha produção astrofotográfica. Perdi poder de processamento e acho que a falta já está impactando muitas imagens. Com muita demora para aplicar filtros e outros comandos, além de constante travamentos, tenho diminuído o trabalho no processamento das imagens, o que me deixa triste. Numa viagem ao exterior, a compra de um bom notebook pode fazer compensar todo o investimento da viagem.

É isso aí pessoal, espero trazer boas imagens e notícias para vocês em 2017. O EBA vai ser mais curto, já que, ao contrário dos anos anteriores, eu não vou estar de férias no evento, mas a varanda do apartamento deve seguir firme e forte. Quanto ao livro, eu não sei muito o que fazer com ele depois de finalizado. Estou aberto a sugestões. Já recebi algumas, mas toda informação é válida.

Um grande abraço a todos e que 2017 nos traga bons céus.